ANÁLISE-Peronismo mantém hegemonia na política argentina

Por Damián Wroclavsky BUENOS AIRES (Reuters) - O peronismo apresentará candidatos governistas e opositores na eleição legislativa do próximo domingo na Argentina, em nova demonstração da supremacia dessa agrupação política que há anos converte votações nacionais em disputas internas partidárias.

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As distintas correntes ideológicas do movimento criado pelo militar Juan Perón em 1945 se enfrentaram nas três últimas eleições no país -- duas presidenciais e uma para o Congresso -- e em cada uma delas seus votos somados alcançaram folgadamente 50 por cento do total.

Os governistas poderão ter de conformar-se com a perda da maioria na Câmara dos Deputados, uma derrota que não seria possível sem a participação central de uma facção dissidente do próprio peronismo.

"O peronismo é a força política hegemônica da Argentina e todas as contradições do país se refletem no interior do peronismo", sustentou Pascual Albanese, vice-presidente do centro de estudos Instituto de Planejamento Estratégico.

A principal força política da Argentina, que aglutina um amplo arco doutrinário de esquerda e direita, conseguiu superar melhor que as outras agremiações políticas a debacle do sistema de partidos que ocorreu no país entre 2001 e 2002, depois de uma aguda crise econômica e social.

A crise enfraqueceu profundamente nesse período a outra grande força política do século passado, a União Cívica Radical (UCR), e "deixou o peronismo virtualmente com o monopólio da governabilidade no país", segundo explicou Albanese.

Mas as divisões entre as correntes peronistas bloquearam as eleições primárias -- uma prática que se estendeu às principais forças políticas locais -- e levaram o partido a apresentar em 2003 a insólita quantidade de três candidatos presidenciais.

Nessa contenda se impõs o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, depois sucedido no cargo por sua mulher, Cristina Fernández, que também se lançou como candidata sem passar por uma seleção interna.

"Isto mostra a debilidade dos partidos políticos, que não podem solucionar com eleições internas democráticas suas disputas e acabam socializando seus problemas em uma eleição nacional", disse Pablo Secchi, diretor da área de Instituições Políticas e Governo da organização Poder Cidadão.

Néstor Kirchner é agora o principal candidato governista na província de Buenos Aires, onde vive quase 40 por cento da população do país. Ele enfrentará Francisco de Narváez, empresário também da corrente peronista, mas de ideais liberais em matéria de economia.

Combinados, os dois candidatos têm mais de 60 por cento das intenções de voto nesse distrito eleitoral, segundo as pesquisas.

Desde 1989 o peronismo só permaneceu dois anos fora da condução do governo federal da Argentina, entre 1999 e 2001.

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