Por Andrew Gray WASHINGTON (Reuters) - O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, deve encarar de imediato decisões importantes a respeito das guerras no Iraque e no Afeganistão assim que o país vivenciar sua primeira transição de governo em tempos de guerra desde a era do Vietnã.

O comandante-em-chefe da única superpotência militar do mundo também terá de enfrentar outras importantes questões de segurança nacional, tais como o programa nuclear do Irã e a atividade de militantes no Paquistão (um país dotado de armas nucleares).

Diante de uma profunda mudança em um período tão delicado, o Pentágono diz ter feito grandes esforços para garantir uma passagem de poder sem percalços.

"Essa é a primeira transição em tempos de guerra desde 1968, desde a mudança de Johnson (Lyndon Johnson) para Nixon (Richard Nixon) durante a Guerra do Vietnã", afirmou na terça-feira Bryan Whitman, porta-voz do Pentágono.

"Estamos prontos para começar a repassar as informações ao próximo governo imediatamente."

Entre as questões principais a serem tratadas por Obama estaria decidir como administrar as guerras no Iraque, onde os EUA mantêm mais de 150 mil soldados, e no Afeganistão, onde há mais de 30 mil militares norte-americanos.

Antes do início dela, em 2003, o presidente eleito opôs-se à guerra no Iraque, que se tornou altamente impopular à medida que a violência e as baixas entre os norte-americanos aumentavam. Obama sugeriu adotar um cronograma para a retirada dos soldados, operação essa que, segundo indicou, poderia durar 16 meses.

No entanto, oficiais de alta patente das Forças Armadas, entre os quais o almirante da Marinha Mike Mullen, chefe do Estado-Maior, e o general do Exército David Petraeus, chefe do Comando Central dos EUA, declararam publicamente ser contrários à adoção de um cronograma.

Esses oficiais desejam que a eventual retirada do Iraque baseie-se em avaliações da situação feitas pelos comandantes presentes no local.

ESPAÇO PARA MANOBRA

Tanto Obama quanto os militares, no entanto, possuem algum espaço de manobra. O presidente eleito frisou que concluirá a guerra de forma responsável, ouvindo o conselho dos oficiais e sem adotar medidas precipitadas.

De forma semelhante, uma queda acentuada no nível de violência no Iraque significa que os comandantes das Forças Armadas podem recomendar uma retirada de soldados com base na melhoria da situação.

E o projeto de um pacto de segurança discutido atualmente pelo Iraque e pelos EUA fixa, com o apoio dos oficiais, metas para a retirada de soldados, apesar de essas metas não serem tão ambiciosas quanto as proposta por Obama.

Caberá a Obama decidir o quanto pressionará para que as Forças Armadas assumam mais riscos.

Essa decisão ganha ainda mais peso porque o presidente eleito prometeu enviar um novo contingente de soldados ao Afeganistão, onde a violência resultante da atividade de militantes vem aumentando. E, segundo oficiais de alta patente, tal manobra só pode ocorrer se os EUA diminuírem sua presença militar no Iraque.

Obama também precisa decidir sobre se aprovará a realização de ataques -- ou se apoiará uma ação militar israelense -- contra o Irã caso fique provado que os iranianos estão perto de fabricar uma bomba nuclear. Quando candidato, o presidente eleito afirmou desejar solucionar a questão diplomaticamente, se possível.

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