ANÁLISE-Latinos dos EUA devem pressionar Obama sobre imigração

Por Tim Gaynor LOS ANGELES (Reuters) - Após meses sendo deixado de lado, o eleitorado latino-americano, importante na eleição de Barack Obama como presidente dos EUA, deve pressionar o novo governo a colocar a reforma da imigração novamente na pauta.

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Cerca de 12 milhões de imigrantes, a maioria hispânicos, vivem e trabalham ilegalmente nos Estados Unidos. O que fazer com eles é um tema que divide a população norte-americana.

Como senador, o democrata Obama apoiou no ano passado um projeto bipartidário que abria caminho para a legalização dos clandestinos. A bancada republicana rejeitou o projeto por considerá-lo uma forma de "anistia".

Obama apóia uma reforma mais abrangente, que inclua uma maior vigilância nas fronteiras e punições a patrões que contratam imigrantes clandestinos.

Os hispânicos com cidadania norte-americana - entre os quais dois terços votaram em Obama - consideram que a economia e a guerra do Iraque são questões mais importantes, mas ativistas e analistas dizem que eles também prestam atenção à questão imigratória e esperam medidas.

"Votamos numa pessoa que acreditávamos entender a importância dos imigrantes para este país", disse Angélica Salas, diretora-executiva da Coalizão para os Direitos Humanos dos Imigrantes, em Los Angeles.

"Embora não seja estritamente um toma-lá-dá-cá, há expectativa de que ele cumpra essas promessas". acrescentou.

A imigração foi pouco abordada numa campanha em que Obama e o republicano John McCain tiveram o cuidado de não afastar nem o eleitorado latino nem os norte-americanos contrários à reforma.

Os hispânicos são a minoria que mais cresce nos EUA, e já respondem por cerca de 9 por cento do eleitorado.

"A questão para os democratas ao tentarem lidar com a reforma da imigração é se eles vão dar como fato consumado ou vão sentir que precisam de algo em mais curto prazo para solidificar ," disse Tamar Jacoby, dirigente da entidade ImmigrationWorksUSA, que reúne empregadores de todo o país.

As divisões são grandes. Os mais radicais dizem que os imigrantes ilegais sugam recursos e deveriam ser presos e deportados. Obama e seu vice, Joe Biden, defendem que os clandestinos paguem uma multa, aprendam inglês e voltem para o fim da fila na oportunidade de obter cidadania norte-americana.

OUTRAS QUESTÕES?

Analistas dizem que Obama poderia ser mal aconselhado a reabrir a polêmica sobre a imigração num momento em que a crise econômica já custa 200 mil postos de trabalho por mês.

"Tentar argumentar que precisamos legalizar as pessoas que estão ilegalmente no país, quando o país está perdendo empregos em um dos ritmos mais rápidos dos últimos 20 anos, é realmente algo difícil de empurrar", disse Steven Camarota, diretor de pesquisas da entidade Centro para os Estudos da Imigração, que defende uma fiscalização mais rígida.

Formadores de opinião dizem que há outras rotas possíveis para que Obama mantenha suas promessas a respeito da reforma migratória e tranqüilize o eleitorado latino.

"Há passos que o novo presidente pode dar para demonstrar aos eleitores latinos que ele pretende tratar da questão", disse o jornal Los Angeles Times em editorial.

Isso incluiria, na opinião do jornal, parar com as blitze em locais de trabalho, o que já levou à prisão de milhares de empregados, especialmente hispânicos em fábricas de Iowa e Mississippi, e a formação de um consenso bipartidário sobre a chamada Lei do Sonho, que permite a legalização de estudantes secundaristas com boas notas, mas que estejam clandestinos.

"De qualquer forma que ele fizer isso, precisa cumprir o sonho de mudança deles", concluiu o editorial.

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