Análise: Solução global é necessária para remediar a crise

Ao longo dos últimos 50 anos, não ocorreram muitos, ou talvez nenhum, encontro do grupo dos sete países mais ricos do mundo (G7) tão importante como o desta sexta-feira. Os mercados estão desabando.

BBC Brasil |

Os investidores estão se desfazendo de quase todos os ativos que podem ser trocados por dinheiro - e não importa quanto.

O que está ocorrendo é uma perversa reação em cadeia.

Quando os preços dos ativos caem drasticamente, os investidores recebem a "chamada de margem", um procedimento pelo qual são exigidos a depositar moeda corrente ou valores mobiliários em uma conta, conforme o previsto na operação financeira. Se não fazem isso, os investidores podem ter seus valores mobiliários liquidados.

Este processo mina a liquidez dos bancos, forçando-os a se desfazer de mais ativos e pedir mais empréstimos.

É um ciclo apavorante, precursor do chamado Momento de Minsky - um termo que descreve uma situação prevista pelo economista americano Hyman Minsky na qual existe a quebra de toda cadeia financeira por causa de uma onda de liquidação em massa de ativos.

Para impedir o Momento de Minsky, que teria conseqüências econômicas devastadoras, é preciso um "circuit breaker" (mecanismo utilizado pelas bolsas para interromper o pregão na ocorrência de movimentos bruscos de mercado).

E somente os contribuintes podem oferecer este circuit breaker, por meio de garantias ao setor bancário para que os credores ganhem confiança de que terão seu dinheiro de volta.

Eu me refiro aos contribuintes do mundo desenvolvido (porque esta é uma crise desencadeada pelo primeiro mundo).

Curando partes do corpo
O problema é global, portanto, a solução também terá de ser.

Iniciativas nacionais, como o plano de resgate de 400 bilhões de libras anunciado na Grã-Bretanha e o de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso governo americano para socorrer os bancos, são úteis.

Mas não trazem a cura por completo, porque tratam apenas partes do corpo doente e não o corpo doente como um todo.

Um remédio eficiente em nível global poderia ser uma versão mundial da garantia anunciada pelo Tesouro britânico de 250 bilhões de libras para empréstimos interbancários, destinada a restaurar a confiança dos credores.

Isto poderia restaurar o fluxo de dinheiro entre as instituições bancárias e financeiras e desentupir o cano.

Mas, por razões desconhecidas, os Estados Unidos e a França estão descartando este tipo de iniciativa.

Se os líderes de Europa, do Japão e dos Estados Unidos falharem em encontrar um plano nesta sexta-feira ou no fim de semana, as conseqüências dolorosas desta crise podem deixar cicatrizes em uma geração inteira.

Clique aqui para ver o especial da BBC Brasil sobre a crise econômica global

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG