As quedas nas bolsas de valores nesta segunda-feira nos colocam a caminho de novos recordes mensais de desvalorização nos valores das ações. Até agora neste mês, os papéis nos Estados Unidos e na Europa caíram em média mais de 25%.

Na Ásia, o recuo foi um pouco maior.

A menos que ocorra uma reação repentina, a desvalorização mensal acumulada em outubro na maioria dos principais mercados do mundo será uma das maiores já testemunhadas por qualquer pessoa ainda viva.

No caso dos Estados Unidos, a queda neste mês provavelmente será a maior em 70 anos. Em outros mercados, onde o histórico das oscilações das bolsas começou a ser compilado mais tarde, as quedas devem ser as maiores desde o início dos registros, há cerca de 40 anos.

Mas qual o porquê disso?
Mudanças nas aplicações
Há três coisas acontecendo. Primeiramente, estamos vendo o fim das aplicações de dinheiro obtido com empréstimos baratos - com juros baixos e em iene ou dólares - em mercados que rendiam mais, como os dos países emergentes, da Islândia ou, em certa medida, da Grã-Bretanha.

Os investidores estão liquidando ativos em toda a parte, da Coréia do Sul à Argentina e à Hungria, e estão segurando os recursos em moeda japonesa ou americana.

E como uma quantidade significativa desses investimentos veio do Japão, o iene tem se valorizado de forma espantosa.

A libra esterlina foi castigada em parte porque, quando esse tipo de investimento estava mais popular, a Grã-Bretanha recebeu uma parcela desproporcional desse dinheiro, já que as taxas de juros britânicas sempre foram um pouco maiores do que normalmente são em economias desenvolvidas.

Fundos hedge
O segundo motivo é a transformação dos bancos de investimento Goldman Sachs e Morgan Stanley em bancos de varejo, o que está secando os fundos hedge.

A mudanças dos bancos está levando os fundos a se livrar de ativos como ações, títulos corporativos e commodities. Isso, por sua vez, está levando à venda de mais ativos, já que a queda nos valores deles faz com que os credores exijam que os investidores que ainda apostam em aplicações como os fundos hedge aumentem suas garantias.

Finalmente, o último motivo é a reavaliação do risco provocada pela desaceleração econômica global.

Traduzindo: os investidores, nos últimos 14 meses, abandonaram a convicção maluca de que nada iria quebrar e foram para o extremo oposto - passando a acreditar que tudo vai quebrar.

Nenhuma das visões é racional. Mas a razão não tem muita influência nos momentos de pico de alta do mercado, quando a emoção que prevalece é a cobiça, e nos picos de baixa, quando o importante é o salve-se quem puder.

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