Análise: G20 pode ser começo de nova ordem econômica mundial

A cúpula do G20 terminou com um acordo global para estimular o crescimento mundial. Mas será que isso simboliza o começo de uma nova ordem econômica mundial?

BBC Brasil |

A primeira impressão dada pelo comunicado oficial é de que não houve um plano coordenado de estímulo fiscal e que os US$ 500 bilhões prometidos ao Fundo Monetário Internacional virão com muitas condições.

E a regulação, apesar de global em princípio, ainda será colocada em prática por reguladores nacionais, que têm visões muito distintas.

Qualquer ajuda aos países pobres foi limitada na sua dimensão, e parece haver poucas chances de se chegar a um acordo global sobre comércio que pudesse melhorar as perspectivas no longo prazo.

Um novo consenso

Mas há indícios, tanto na retórica quanto nas medidas, de que uma nova forma de se administrar a economia mundial parece estar emergindo do processo do G20.

O presidente americano, Barack Obama, reconheceu isso ao admitir que o Consenso de Washington - que defende a globalização irrestrita e poucos regulamentos para os mercados - está superado, e pediu uma abordagem mais equilibrada para regulação de mercados, em vez de total liberdade.

Isso mostra uma mudança da posição americana, que no passado era fortemente oposto à regulação internacional do sistema financeiro.

Agora já se fala em regular fundos hedge, salários de executivos e paraísos fiscais - medidas impensáveis antes desta crise.

E com a criação do Conselho de Estabilização de Financeira, que será formado por todos os integrantes do G20, existe a possibilidade de surgir um novo órgão global de regulamentação financeira.

Mais importante é o aumento de poder de instituições financeiras internacionais, como o Banco Mundial e o FMI, que foram designados pelo G20 para monitorar e administrar muitas das políticas decididas pelos líderes.

O diretor-geral do FMI, Dominique Strauss Kahn, estava eufórico depois da reunião, dizendo que o FMI "está realmente de volta".

A imagem do FMI foi afetada durante a crise financeira da Ásia (no final dos anos 90) e, até a crise atual, havia temores de que a instituição estava perdendo a sua relevância.

Strauss-Kahn estava particularmente entusiasmado com o plano de criar Direitos Especiais de Saque na ordem de US$ 250 bilhões, afirmando que isso é o primeiro passo para o FMI criar sua própria liquidez, além de assegurar a sua posição como credor de última instância - duas funções básicas de um banco central mundial.

Mais reuniões

Mas talvez mais importante do que tudo, o G20 decidiu continuar se reunindo com frequência para monitorar o progresso em negociar a crise financeira global. A próxima reunião está marcada para o final do ano.

Strauss Kahn disse acreditar que o G20 está se transformando uma espécie de conselho de administração da economia mundial e disse ser a favor de um grupo ainda maior, para dar maior representatividade aos países pobres.

Pode ser que após a crise, o G20 desfaça o grupo.

Mas dada a crença dos governos em ambos os lados do Atlântico de que a cooperação internacional é fundamental para o crescimento econômico, é mais provável que o grupo continue fortalecendo seu papel.

A passos lentos, o mundo parece estar começando a reconhecer que a economia ficou global e que o poder dos governos só existe se eles também se tornarem internacionais.

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