Análise: Executivos de bancos merecem ganhar bônus?

Alguns dos maiores bancos dos Estados Unidos que receberam ajuda financeira do governo do país para enfrentar a crise econômica estão divulgando balanços positivos no último trimestre. Os bancos JP Morgan Chase e Goldman Sachs separaram uma grande parte dos seus lucros bilionários para pagar bônus aos seus funcionários.

BBC Brasil |

Funcionários dos bancos em todo o mundo receberão algum dinheiro extra este ano.

Mas é justo que, tendo sido apontados como culpados pela desaceleração econômica mundial, executivos desses bancos recebam agora uma recompensa enquanto outras pessoas sofrem as consequências da crise?
Confira abaixo duas visões distintas sobre o tema.

NÃO É JUSTO
Há poucas dúvidas de que os lucros de bancos como o Goldman Sachs e JP Morgan Chase só foram alcançados com ajuda do dinheiro dos contribuintes.

Alguns bancos ganharam pouco ou nenhuma injeção direta de dinheiro, mas ainda assim se beneficiaram com o resgate do sistema financeiro e com a quantia extra de liquidez que entrou na economia.

"Há uma dúvida sobre se estes resultados foram amplificados de certa forma pelo contribuinte", diz o professor Stefano Harney, da Queen Mary School of Business and Management, que tem defendido impostos sobre bônus.

Ele argumenta que "o contribuinte é em última instância o investidor que deveria estar colhendo os resultados e receber bônus neste ano".

É fácil ficar irado quando governos enfrentam grandes déficits - e acabam aumentando impostos e cortando serviços para levantar dinheiro para resgatar bancos.

Também, um dos objetivos do resgate era ajudar os bancos a construírem suas reservas, para que eles pudessem voltar a emprestar bastante.

Os bilhões pagos aos banqueiros não deveria ser mantido para limpar os balanços dos bancos?
E, finalmente, se nós estamos preocupados com a velha cultura de bônus alimentando a adoção de altos riscos, os bônus pagos aos banqueiros hoje não estariam contribuindo para uma nova crise econômica mundial?
É JUSTO
O Goldman Sachs, que costuma pagar os bônus mais altos, recebeu pouca ajuda do governo americano.

O banco já pagou o empréstimo que tomou do governo com juros, que seriam equivalentes a 23% ao ano, para que os contribuintes tivessem algum tipo de benefício com o empréstimo.

O principal argumento na questão dos bônus é que não deveria haver recompensa por fracassos. Mas o Goldman Sachs não fracassou - ele conseguiu um lucro fabuloso, que pode ser creditado ao esforço e competência dos seus funcionários.

O banco também pagou milhões de dólares em impostos e os seus funcionários também pagam impostos, então o governo estaria se beneficiando com o sucesso da instituição.

Para os bancos que foram resgatados com dinheiro dos contribuintes, também há bons motivos para se pagar bônus.

"Bancos resgatados precisam poder concorrer por funcionários da mesma forma que os bancos não resgatados", afirma Barbara Stcherbatcheff, ex-trabalhadora do setor e autora do livro Confessions of a City Girl ("Confissões de uma Garota do Mercado Financeiro", em tradução livre).

"Se os governos querem maximizar suas chances de obter retorno do seu dinheiro, eles [os bancos] precisam ser lucrativos e a única forma de se fazer isso é segurando os melhores talentos", argumenta ela.

E também houve reformas na forma como os bônus são pagos.

Na Grã-Bretanha, novas regras a partir de janeiro não permitirão que os bônus sejam garantidos por mais de um ano. Um alto executivo só poderia receber bônus ao longo de três anos.

Os líderes dos países do G20 também debateram a possibilidade de os bônus serem pagos com participação nos bancos. Eles afirmam que é preciso haver algum tipo de mecanismo para puni-los caso políticas bem-sucedidas no curto prazo se provem um fracasso no longo prazo.

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