Por Paul Eckert e Sue Pleming WASHINGTON (Reuters) - A eleição relativamente calma no Afeganistão serve de reforço para a estratégia do governo de Barack Obama naquele país, mas a perda do apoio da população norte-americana à guerra significa que tanto Washington quanto Cabul precisarão de rápidos êxitos militares e políticos.

Especialistas dizem que a abordagem adotada pelo vencedor do pleito - o presidente Hamid Karzai é favorito à reeleição - e a credibilidade ou não da eleição de quinta-feira terão grande impacto no sucesso ou fracasso da nova estratégia de Obama, que prioriza a guerra do Afeganistão em detrimento do conflito no Iraque.

"Vamos precisar da compreensão de quem quer que seja o novo presidente de que o Afeganistão estará à altura da ocasião", disse Bruce Riedel, do Instituto Brookings, de Washington.

"Já colocamos quase 70 mil soldados norte-americanos nesta guerra, estamos comprometendo bilhões de dólares em nova assistência. Estamos fazendo a nossa parte no acordo, no sentido de dar recursos adequados para a guerra", acrescentou Riedel, que supervisionou a revisão política feita neste ano pelo governo Obama a respeito da guerra do Afeganistão.

Zalmay Khalilzad, ex-embaixador dos EUA no Afeganistão, disse que a eventual reeleição de Karzai terá de levar Washington a melhorar a relação com ele, deixando para trás a impressão do atual presidente de que o governo Obama torcia pela vitória de outro candidato.

"O que eles (governo Obama) precisam fazer é estabelecer uma relação de confiança mútua. Houve algumas dificuldades", disse Khalilzad, que nasceu no Afeganistão e conhece bem Karzai.

Os EUA também estão descontentes com as recentes alianças de Karzai com comandantes de milícias, como o general uzbeque Abdul Rashid Dostum.

Na opinião de Alex Thier, do Instituto da Paz, entidade apartidária financiada pelo Congresso dos EUA, será preciso que o novo governo logo dê provas de seu compromisso com as boas práticas de governo, o combate à corrupção e o estado de direito.

"Um fracasso nesse sentido, particularmente no caso de Karzai, levará a uma maior erosão da sua legitimidade e também do governo - e por extensão dos esforços internacionais no Afeganistão", disse Thier.

O enviado especial do governo Obama para o Afeganistão e Paquistão, Richard Holbrooke, disse a jornalistas que, após a apuração eleitoral, a corrupção será para os EUA "a questão mais importante".

Assim como o novo governo afegão enfrenta pressões para melhorar seu desempenho, o governo Obama também será forçado a apresentar uma abordagem mais definida para a guerra.

"(Obama) forneceu uma mudança de liderança, forneceu uma estratégia passando do combate ao terrorismo para o combate à insurgência, e forneceu mais recursos", disse Lawrence Korb, da entidade Centro para o Progresso Americano. "A questão se torna: será que essas coisas serão capazes de reverter a situação que está se deteriorando?"

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