Análise: Esperança conciliatória de Obama fracassa no 1º teste

Ao declarar que o pacote de estímulo econômico de US$ 819 bilhões foi aprovado pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, a líder da casa, Nancy Pelosi, sorriu. Os democratas comemoraram.

BBC Brasil |

Mas os republicanos permanceram em silêncio - nenhum deles votou a favor do pacote.

A questão agora é como isso repercutiu na Casa Branca.

Talvez tenha havido alívio ao se confirmar que o novo presidente superou seu primeiro grande obstáculo no Congresso, mas certamente houve também frustração de que a "ofensiva de simpatia" de Barack Obama tenha sido de pouca serventia.

Seus esforços de angariar apoio de deputados republicanos, em uma série de encontros frente-a-frente, se mostraram inúteis.

Suas esperanças e seus apelos pelo fim do amargo racha entre os dois partidos foram atingidas em cheio pela realidade dura e fria do Capitólio.

Intervenção estatal
Pedir aos americanos para desembolsarem outros US$ 800 bilhões, além dos US$ 700 bilhões já requisitados pelo ex-presidente George W. Bush, era uma dificuldade desde o início.

Esse era o argumento principal dos republicanos, que acreditavam que estariam vendendo sua alma e jogando no lixo seus princípios ao permitir que o Estado viesse em socorro da maior economia de livre-mercado do mundo.

Para eles, o problema não era apenas a cifra astronômica, mas também a intervenção governamental.

Muitos republicanos ainda sentem uma espécie de vergonha por ter apoiado os primeiros pacotes de ajuda aos bancos.

Resistência
Barack Obama trabalhou duro, mesmo antes de entrar na Casa Branca, para tentar superar as preocupações óbvias dos republicanos.

Ele esperava que o ceticismo natural dos opositores poderia ser apagado pela promessa de cortes nos impostos - US$ 275 bilhões serão destinados a aliviar impostos pagos por cidadãos de baixa ou média renda.

Mas ainda há os US$ 40 bilhões que serão investidos para melhorar a infra-estrutura decadente dos Estados Unidos, os US$ 41 bilhões para a educação, e as dezenas de bilhões destinadas à saúde e à eficiência da produção energética.

Sem falar na inclusão de US$ 300 milhões para combater doenças sexualmente transmissíveis e US$ 50 milhões para o setor artístico, que surpreenderam muitos republicanos.

Mas os opositores continuaram resistindo, usando expressões como "bem-estar social" e "gastos governamentais" - e não era apenas um caso de ideologia ou de petulância.

Muitos republicanos ainda se perguntam se o pacote de estímulo vai realmente funcionar. Por que sujar as mãos se eles não vão receber o crédito, caso o plano seja bem-sucedido?
'Bipartidarismo amargo'
Tudo ainda é um grande jogo de apostas.

Por um lado, não importa a unanimidade republicana contra o pacote, pois Barack Obama está no caminho de conseguir o apoio do Senado.

Mas ao serem contra os planos, os republicanos estão deixando claro para o país que eles não têm nada a ver com isso. O projeto é dos democratas e do presidente.

Barack Obama não desistiu de tentar colocar um fim ao "bipartidarismo amargo" da era Bush.

Ele também prometeu mais transparência do que nunca, ao dizer que "todo americano pode ir ao site www.recovery.gov para ver como e onde o dinheiro está sendo gasto".

Apesar da oposição republicana, ele agradeceu à Câmara, reiterou a importância da aprovação do pacote e prometeu continuar ouvindo.

Mas agora suas promessas de uma nova era política, de um espírito de "estamos todos no mesmo barco", parecem um pouco vazias.

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