Ainda é cedo para prever qual será o impacto em nível nacional nas eleições de 2010 das acusações de corrupção no governo de José Roberto Arruda (DEM) no Distrito Federal. Mas é difícil imaginar que, a partir de agora, o benefício ou prejuízo eleitoral daqui a 11 meses não vá nortear as reações dos políticos com interesse direto ou indireto no caso.

No centro do furacão, os Democratas são obviamente quem tem mais a perder.

O partido, que surgiu do PFL e tem sido o principal parceiro do PSDB desde a primeira gestão Fernando Henrique Cardoso, investiu nos últimos anos na imagem da defesa da moralidade pública.

Durante o auge de debate público sobre o chamado "mensalão" do PT, foram os Democratas que empunharam com mais ênfase a bandeira contra a corrupção e sem o constrangimento do PSDB de ser acusado de prática semelhante em uma administração estadual - no caso, a de Eduardo Azeredo, em Minas Gerais.

No momento, os Democratas parecem estar divididos.

Um grupo defende uma ação mais radical contra Arruda na tentativa de vender a ideia de que se trata de um problema isolado e de demonstrar que, quando confrontado com uma denúncia, o partido agiu de acordo com seu discurso.

Outro grupo parece querer dar tempo ao governador, talvez na esperança de que ele consiga se defender ou que o caso acabe se esvaziando e deixando as manchetes dos jornais e noticiários da TV antes de provocar mais danos ao partido.

Além disso, é claro que as relações pessoais e políticas dentro do partido também influenciam essas posições, embora, nesse momento, seja mais difícil de medir o peso desse fator.

Incógnita
Qualquer que seja o desfecho das acusações no Distrito Federal, é inevitável que os petistas e demais adversários dos Democratas e de seus eventuais aliados tucanos usem o caso Arruda para atacar ou para desqualificar os ataques que venham a sofrer.

Nesse contexto, parece interessar mais aos tucanos - sobretudo ao governador paulista José Serra - se distanciar de Arruda e dar fôlego aos que defendem o sacrifício do governador do Distrito Federal.

Seguem essa lógica tanto as declarações do governador paulista, de que as acusações são "gravíssimas", quanto as de seu principal aliado dentro dos Democratas, o prefeito paulistano Gilberto Kassab, que pediu punição exemplar para os acusados, "se forem ratificadas as denúncias".

Numa posição mais confortável, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se deu ao luxo de ser magnânimo.

Em Lisboa, Lula disse que as imagens que mostram José Roberto Arruda recebendo dinheiro "não falam por si" e que cabe à Justiça fazer o "juízo de valores final".

Com isso, o presidente, além de parecer elegante com o adversário, aproveita o escândalo da oposição para reforçar o seu discurso de defesa do PT no mensalão.

A questão que ainda está em aberto é como o eleitor vai reagir ao caso.

Nesse sentido, a principal incógnita no momento é o quanto o escândalo vai atingir a coligação PSDB-DEM para além do Distrito Federal.

Outro ponto que ainda não está claro é a importância que o eleitor vai dar ao tema em outubro de 2010.

Em 2006, um ano e meio depois do escândalo do chamado mensalão do PT, o eleitorado que deu vitória a Lula parece ter dado mais importância à manutenção de um governo visto como responsável pela melhoria de sua condição de vida.

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