Análise: Derrota eleva pressão sobre Hillary

Há quatro meses, os eleitores de Iowa foram às urnas. Havia neve no chão. Agora o verão está quase começando. Quarenta e três Estados deram sua opinião. Ainda faltam seis disputas menores. A disputa pela indicação democrata ainda não está decidida, mas os resultados em Indiana deixaram mais claro o resultado mais provável.

BBC Brasil |

Esqueça as vitórias decisivas ¿ isso está mais para uma batalha na Primeira Guerra Mundial. Os dois candidatos cavaram profundo, mas ainda se debatem dentro das trincheiras. Ninguém conseguiu invadir o outro lado pelos flancos.

Outra vez, Barack Obama comprovou sua popularidade entre os afro-americanos. O apoio a Hillary entre os negros caiu a um dígito tanto em Indiana como na Carolina do Norte.

Hillary Clinton ainda tem sua base entre os trabalhadores e eleitores mais velhos. Mas, na Carolina do Norte, 40% dos eleitores brancos apoiaram seu rival.

Confiança

Nos últimos meses, Barack Obama ficou na defensiva. A polêmica do reverendo Wright, as declarações dele sobre americanos "amargos" e "apegados às armas e à religião" e os ataques de Hillary haviam infligido uma dura pena ao líder. Ele estava nas cordas.

Mas uma vitória de peso na Carolina do Norte alterou dramaticamente o humor. Obama não ganhava em um "grande Estado" havia dois meses.

No comício da vitória na Carolina do Norte, ele retomou a confiança. Seus eleitores cantavam o bordão "sim, podemos" com convicção.

Obama e seus partidários sabem que é quase impossível para Hillary Clinton tirar a diferença. O senador também foi capaz de mudar o assunto, voltar aos temas familiares de unificar o país, encerrar a política da divisão e focar na história de sua vida dramática.

Na Pensilvânia, Hillary Clinton afirmou que "a maré estava mudando". Mas a escala de sua derrota na Carolina do Norte e a estreita margem da vitória em Indiana sugerem que isso está mais para pensamento positivo.

Fortaleza

Hillary impressionou o país e a mídia com sua atitude "nunca desista" ¿ ou, como um de seus partidários colocou, sua "fortaleza testicular".

Além disso, tem desempenho melhor em debates televisivos e, em geral, parece mais sintonizada com as preocupações de seus eleitores em relação à economia americana. Propõe uma chamativa moratória ao imposto federal sobre a gasolina durante os meses de verão.

Barack Obama e outros economistas criticaram a idéia, considerando-a eleitoreira. No fim, não parece ter funcionado.

Em seu comício em Indianápolis, ela ainda prometia continuar lutando. Mas parecia ter esgotado o espírito guerreiro que precisava mostrar na campanha.

A feição de seu marido, Bill Clinton, tampouco passava confiança. Havia um sentimento de resignação enquanto ela falava da campanha como uma "jornada" que se tornou uma "bênção" para ela.

Os próximos dias e possivelmente as próximas semanas serão cruciais para a campanha de Hillary. Ela terá conversas breves com superdelegados, os dirigentes do partido em Washington que poderiam em última instância decidir a disputa.

A senadora tem de convencê-los em número significativo. Embora ela ainda tenha vantagem entre os superdelegados, alguns embarcaram na campanha de Obama recentemente. A corrida está tudo, menos encerrada.

Agora, apenas 217 delegados estão em disputa em cinco Estados e em Porto Rico. Não é suficiente, nem que ela ganhasse todos na divisão dos votos.

Como já disse um comentarista, Hillary Clinton já foi a caçadora. Hoje é a caça.

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