Análise: Convenção democrata foi um sucesso - por ora

Relembrando tudo, do bloco 133 do estádio Mile High, em Denver, enquanto fogos de artifício estouravam e Barack Obama e Joe Biden se abraçavam, parecia perfeitamente claro. Os democratas conseguiram chegar lá - com algum estilo.

BBC Brasil |

O problema das convenções partidárias é que elas são embriagantes quando se está nelas. Então como julgar esta semana?
No começo falava-se de falta de unidade, de uma possível surpresa de Hillary Clinton que pudesse prejudicar Obama, de uma gafe de Biden.

Alguns questionavam até se Barack Obama seria capaz de apresentar os detalhes de seu plano para realizar as mudanças que promete.

Clinton
Por determinado tempo ao longo da semana, a convenção parecia girar em torno de uma candidata chamada Clinton - e não de um indicado chamado Obama.

Será que os Clinton dominariam um evento que deveria ser para Obama?
Bem, ao final, não. Não dominaram.

Houve uma clara evolução ao longo da semana. Não apenas Michelle Obama, esposa do candidato democrata, ganhou as manchetes. O senador Ted Kennedy - que luta contra um câncer - também, lembrando os democratas de quem eles são, e que tipo de partido podem, e devem, ser.

No segundo dia, começou um processo público de cicatrização dos Clinton.

Na superfície, era uma questão de ajudar Obama.

Hillary, derrotada, fez o discurso que deveria, dizendo aos seus partidários que o apoiassem.

Na quarta-feira, ela pediu a suspensão da votação, e simbolicamente encerrou sua corrida à Casa Branca.

Naquela noite, foi a vez de Bill Clinton pedir apoio a Obama.

O problema é que os Clinton estavam dominando os procedimentos. Quase se escutava mais os nomes do casal que o nome do democrata que concorreria de fato à Casa Branca.

Tal sentimento se esvaiu em um átimo no Mile High quando Obama reivindicou a convenção, e foi ungido em um mar de placas de "Mudança".

No fim, a indicação foi inegavelmente dele.

Então que conclusões podemos tirar?
A mais óbvia é que a campanha de Obama é uma máquina a todo vapor neste momento.

Lista de afazeres
A convenção teria sido planejada com detalhes pelo estrategista-chefe de campanha de Barack Obama, David Axlerod. Nada teria sido deixado à sorte - e isso transpareceu.

Também significou que os democratas dominaram a agenda de notícias nesta semana. Os republicanos não receberam atenção.

Só isto já torna esta semana um sucesso. O principal objetivo (na era moderna) da convenção é dar publicidade ao indicado e ao partido.

A noite final, da mesma forma, correu precisa como um relógio.

Foi como se a campanha tivesse uma lista de afazeres. Que, claro, tinha.

Enquanto o sol castigava os braços e rostos dos simpatizantes de Obama, os organizadores repassaram os afazeres, ponto a ponto.

Preocupado que o senador Obama não possa ser um comandante-em-chefe efetivo? Um grupo de generais dos Estados Unidos marchou no palanque em seu apoio.

Preocupado que ele esquecesse americanos normais afetados pela crise econômica? Roy Gross, sindicalista de Michigan, falou no palanque e prometeu seu apoio.

Preocupado que alguns democratas pudessem votar pelo partido Republicano? Apareceu o republicano mudando na direção oposta.

Há, claro, aspectos que Axlerod e sua equipe não podem controlar.

Por ora os partidários de Clinton estão pregando unidade - mas durará?
O próprio Obama aludiu a outro problema potencial em seu discurso, quando disse que não era "o mais provável candidato para este cargo".

É o reconhecimento de que muitos neste país simplesmente nunca se inclinarão. Quantos, saberemos em 4 de novembro, dia da eleição.

Na mesma ocasião, provavelmente teremos a melhor resposta para a seguinte pergunta: "Esta convenção foi um bem-sucedida?"

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