ANÁLISE - Clinton tem segunda chance com Coreia do Norte

Por Steve Holland WASHINGTON (Reuters) - Bill Clinton deixou a presidência dos EUA há mais de oito anos sem realizar sua intenção de fazer uma viagem à Coreia do Norte para selar a paz com o regime comunista. Nesta terça-feira, no entanto, ele ganhou uma segunda chance, ao negociar em Pyongyang a libertação de duas jornalistas norte-americanas.

Reuters |

Em 2001, a viagem dele seria parte de uma negociação de desarmamento, e representaria para o ditador Kim Jong-il um tipo de atenção que ele sempre desejou do primeiro escalão norte-americano.

Mas a negociação fracassou e Clinton entregou o poder a George W. Bush, cujo governo achou que ele estava sendo brando demais com Pyongyang.

"Sei pelo que ele escreve e diz que sentiu uma ponta de arrependimento por não ter sido àquela altura prudente ou apropriado que ele fosse", disse Doug Schoen, que trabalhou na Casa Branca na época de Clinton.

"Não consigo pensar em ninguém melhor que o governo Obama pudesse chamar para tentar ajudar a resolver uma questão espinhosa envolvendo duas jornalistas e lançar negociações sobre a questão nuclear."

Mas houve quem considerasse que Clinton estaria recompensando a Coreia do Norte por seu mau comportamento.

A KCNA, agência oficial de notícias norte-coreana, disse que Clinton tem "discussões francas e aprofundadas sobre questões pendentes entre a RPDC (Coreia do Norte) e os EUA, numa atmosfera sincera, e chegou a um consenso de opiniões sobre a busca de uma solução negociada (para tais questões)."

A viagem de Clinton dominou o noticiário nos EUA, e ofuscou a visita de sua esposa, a secretária de Estado Hillary Clinton, a sete países da África.

A visita do ex-presidente reuniu vários outros nomes do seu governo. Clinton agia em nome do seu vice, Al Gore, já que as duas jornalistas trabalham para um canal de notícias dele, o Current TV. John Podesta, que foi chefe de gabinete de Clinton, apareceu com destaque nas fotos da visita.

Outras personalidades norte-americanas já fizeram visitas a Pyongyang, como o ativista Jesse Jackson, o ex-presidente Jimmy Carter e o governador do Novo México, Bill Richardson, sempre na tentativa de resolver algum problema internacional, sem a chancela oficial da Casa Branca.

Adversários políticos criticaram a visita do ex-presidente. "Acho que não é uma boa ideia", disse John Bolton, ex-embaixador dos EUA na ONU durante o governo de George W. Bush. "Acho que amplia o risco de que a Coreia do Norte e outros cheguem à conclusão de que podem extrair concessões políticas ao fazerem norte-americanos reféns."

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