Análise: Atentados na Índia indicam mudança de tática de extremistas

A Índia e Mumbai já foram vítimas de atentados antes, mas a série de ataques contra alvos múltiplos da cidade na quinta-feira marca uma mudança de direção significativa. Em ataques anteriores, explosivos foram deixados em locais públicos, como mercados e trens.

BBC Brasil |

Esses atentados, muitas vezes, provocaram a morte de muitas pessoas, com quase 200 mortos em 2006.

Mas os ataques de Mumbai são diferentes tanto em relação ao método usado como à sua escala, com grupos de homens bem armados envolvidos em ataques sincronizados. Além disso, os responsáveis estavam claramente preparados para morrer nos ataques.

Outra grande diferença é o fato de que, desta vez, hotéis e restaurantes usados por estrangeiros foram alvos e pessoas com passaportes britânicos e americanos foram especialmente identificadas nos ataques.

Isso indica uma grande mudança de estratégia por um grupo já existente ou a influência de grupos de fora do país, talvez até mesmo da Al-Qaeda, cujo estilo de ataque é semelhante.

Autoria
Um grupo que se apresentou como Deccan Mujahideen, reivindicou a autoria dos ataques, mas muito pouco se sabe sobre a organização.

Os homens que realizaram os ataques tinham aparência do sul da Ásia e, segundo relatos, falavam hindi, indicando que são originários da Índia.

Ataques realizados nos últimos anos apontaram a existência de vários grupos no país, especialmente o Mujahideen Indiano - que teria ameaçado atacar Mumbai em setembro, alegando que muçulmanos estavam sendo vítimas de abuso.

As autoridades apontam o dedo para o Movimento de Estudantes Islâmicos da Índia e sugerem que outros grupos como o Mujahideen Indiano são simplesmente uma fachada para a organização, clandestina no país.

Alguns ataques também foram atribuídos a um grupo conhecido como Lashkar-e-Toiba que a Índia diz ter o apoio da agência de inteligência do Paquistão.

Impacto
Se a Índia realmente apontar o dedo para o Paquistão, isso pode ter implicações diplomáticas sérias, mas parece menos provável que o governo indiano responsabilize os paquistaneses agora tão rapidamente como ocorria no passado, quando as relações entre os dois países eram mais frágeis.

Em dezembro de 2001, um ataque contra o Parlamento indiano quase provocou uma guerra entre os dois países.

O quadro caótico se tornou ainda mais confuso recentemente devido a alegações de que grupos nacionalistas hindus também têm se envolvido em atentados.

A crescente onda de ataques, especialmente neste ano, representa grandes problemas para as autoridades indianas.

Além de ter de localizar os envolvidos nos ataques que conseguiram escapar, as autoridades locais e nacionais também terão de lidar com a questão da confiança do público diante da situação.

Depois de ataques anteriores, Mumbai se recuperou rapidamente, e a vida voltou aos poucos ao normal, mas os atentados de quinta-feira podem ter um impacto diferente, e isso também para os que visitam a cidade.

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