Análise: Ataques prejudicam relações entre Índia e Paquistão

Os ataques contra hotéis de luxo em Mumbai, na quarta-feira, aumentaram a tensão nas relações entre a Índia e o Paquistão e deram a chance para a oposição pressionar o governo. Os jornais do país nesta sexta-feira afirmam que o incidente mostra que o governo é incapaz de enfrentar o terrorismo.

BBC Brasil |

Com o país passando por eleições estaduais que podem determinar as próximas eleições gerais, o primeiro-ministro Manmohan Singh passa por um momento difícil.

Singh já foi visto visitando feridos nos hospitais e prometeu endurecer as leis contra o terrorismo no país. Em um discurso transmitido pela televisão, o primeiro-ministro quase prometeu retaliação ao Paquistão, caso seu envolvimento nos ataques seja provado.

"Vamos declarar aos nossos vizinhos que o uso do território deles para o lançamento de ataques contra nós não será tolerado, que haverá conseqüências se eles não tomarem as providências adequadas", disse.

Navios

A Marinha da Índia deteve dois navios mercantes paquistaneses e está investigando a possibilidade destes navios terem deixado os militantes próximos à costa para que, em seguida, chegassem à Índia em barcos menores.

As investigações dos militares ligam este incidente à descoberta de um barco de pesca abandonado na costa indiana na quinta-feira. O capitão do barco foi encontrado morto.

Apesar disso, o Paquistão negou envolvimento nos incidentes. O embaixador paquistanês nos Estados Unidos, Hussein Haqqani, disse à BBC que, como a Índia, seu país sofreu com o terrorismo e ofereceu ajuda para prender os responsáveis.

Analistas no Paquistão afirmam que existe a possibilidade de que os militantes sejam extremistas indianos, que agem sem ajuda externa.

Diálogo

O incidente ocorre pouco depois das recentes tentativas de diálogo do primeiro governo democrático do Paquistão desde o golpe de 1999 para melhorar as relações com a Índia.

Pela primeira vez, o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, fez a inesperada oferta unilateral de não usar armas nucleares em caso de conflito.

Na terça-feira, ministros do Interior dos dois países se reuniram em Islamabad e o ministro do Exterior paquistanês, Shah Mahmoud Qureshi, está visitando a Índia.

Partes importantes do Exército e do serviço de inteligência do Paquistão são contra estes contatos entre autoridades dos dois países. No passado, a agência secreta paquistanesa, ISI, inspirou atentados na Índia justamente para paralisar este tipo de melhora no relacionamento dos dois países.

Com a Índia, a leste, aliada ao Afeganistão, no oeste, o Paquistão se sentia cercado, e analistas avaliam que a alternativa escolhida pelo país foi encorajar militantes islâmicos a usar métodos não convencionais contra a Índia.

Um ataque armado contra o Parlamento indiano em 2001 provocou uma piora nas relações entre os dois países, e soldados dos dois lados foram enviados à fronteira.

Sem conhecimento

Outra possibilidade é que os novos ataques tenham sido lançados a partir do Paquistão, mas sem o controle do governo democrático do país ou de seus militares.

A guerra no Afeganistão levou a uma maior radicalização da política na fronteira noroeste do Paquistão, onde surgiu um "Talebã paquistanês".

Aliados a combatentes estrangeiros da Al-Qaeda, estes militantes têm o poder financeiro e a vontade política para realizar ataques como os de Mumbai.

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