Um centro em Amsterdã pretende cuidar da saúde e do desenvolvimento das prostitutas e convertê-las em pequenas empresárias de sucesso. O Centro de Saúde e Prostituição (P&G, na sigla em holandês) fica localizado fora do famoso bairro da Luz Vermelha e o ambiente moderno contrasta com o cenário obscuro das vitrines e dos bordéis da conhecida região da capital holandesa.

Na sede, assistentes sociais, contadores e especialistas em saúde oferecem às prostitutas não apenas informações sobre proteção sexual, mas cursos didáticos de aperfeiçoamento profissional.

Em oficinas especializadas as mulheres aprendem os segredos do ofício para gerenciar um cliente - tanto para que se comporte durante o serviço, como para que deixe um bom pagamento.

Além disso, o P&G oferece ainda cursos de computação e administração que servem não apenas para que elas aprendam a pagar corretamente seus impostos, como para abrir uma conta bancária, conseguir um crédito hipotecário, estabelecer um programa de aposentadoria ou resolver alguma dívida.

Objetivos
"Se alguém quer deixar a prostituição, iremos ajudar, mas esse não é nosso objetivo. O que queremos é oferecer todas as ferramentas para que tenham sucesso como trabalhadoras independentes", disse à BBC Mundo a coordenadora do Centro de Saúde e Prostituição, Therese Van Der Helm.

"Não podemos esquecer que elas são mulheres de negócios, por isso, as ensinamos a sobreviver não apenas na sua profissão, mas também em questões de administração, autodefesa e na formação de uma atitude firme quando estão atrás de uma das vitrines", afirmou Helm.

Atualmente, o centro oferece cursos de proteção sexual, contabilidade, desenvolvimento profissional e aprendizado da língua holandesa.

Até agora, 267 mulheres já participaram das oficinas gratuitas no centro, regido por um estatuto de anonimato.

Cerca de mil prostitutas trabalham todos os dias em Amsterdã e para garantir a aproximação delas ao centro, toda semana são enviadas três equipes de especialistas para convidar as mulheres a participar dos cursos patrocinados pelo governo local.

"A aproximação com as assistentes sociais permite não somente melhorar suas condições de trabalho, sociais e de saúde, mas também ajuda a evitar a exploração e o abuso sexual", disse Van Der Helm, que tem 20 anos de experiência na área.

'Truques do ofício'
Um dos módulos que gerou mais interesse, especialmente entre as novas prostitutas legais que estão chegando do leste europeu, é o de desenvolvimento profissional.

Nesta oficina, elas ouvem conselhos sobre como tratar o cliente durante o serviço ou como negociar um melhor pagamento - o mínimo deve ser 50 euros.

O método de aprendizagem é através de encontros com veteranas da prostituição que as informam sobre os direitos fundamentais que possuem na Holanda e dão conselhos às colegas sobre como lidar com os problemas mais comuns relacionados à profissão.

As sessões são acompanhadas de informações básicas, algumas em forma de quadrinhos onde se apresentam possíveis problemas que as prostitutas podem enfrentar com os clientes.

Segundo o panfleto informativo entregue às participantes, o mais importante é "estar saudável e forte no trabalho sexual e saber que sempre se pode dizer não!".

Mariska Majoor, ex-prostituta e fundadora do Centro de Informação sobre Prostituição, considera positiva a abertura de novos espaços para apoiar o que classifica como "a profissão mais antiga da Humanidade".

No entanto, ela aconselha que, simultaneamente, deveria haver programas para transformar a mentalidade da sociedade, já que, apesar de se tratar de uma atividade legal na Holanda, a imagem da prostituição continua negativa.

O preço da lei
Entre os argumentos utilizados pelo governo para legalizar a prostituição na Holanda em 2000 estavam dois fundamentais: um maior controle das doenças sexualmente transmissíveis e a emancipação das prostitutas de seus exploradores.

Ambos foram cumpridos de forma relativa, considerando que as prostitutas que trabalham dentro da lei são obrigadas a pagar impostos e fazer visitas regulares ao centro de saúde municipal, onde recebem controle médico.

Com relação aos impostos, as mulheres que oferecem seus serviços nas famosas vitrines estão obrigadas a pagar ao Estado 19% de seus ganhos totais a cada três meses, já que são classificadas como trabalhadoras autônomas.

No entanto, no bairro da Luz Vermelha, mais conhecido como "De Wallen", nem todas simpatizam com a carga fiscal. Muitas, na verdade, se queixam dos tributos e afirmam que seu antigo explorador foi substituído pelo Estado.

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