Amostra de sangue pode ajudar a detectar pré-eclâmpsia por nível de proteína

Londres, 28 out (EFE).- Verificando o nível de determinada proteína, uma amostra de sangue pode ajudar a detectar, nos primeiros meses de gestação, a possibilidade de que a mãe desenvolva pré-eclâmpsia, complicação da gravidez causada pela hipertensão, assinala hoje um estudo médico.

EFE |

Uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade de Bristol, na Inglaterra, sugere que um nível baixo de proteína na urina durante os primeiros períodos da gravidez pode ser um sinal de que a mãe desenvolverá esta doença.

A pré-eclâmpsia, que costuma aparecer entre o segundo e terceiro trimestre de gestação, caracteriza-se por uma hipertensão arterial, a presença de proteína na urina e retenção de líquido, motivo pelo qual os médicos costumam optar por induzir o parto, para que a vida da mãe não corra perigo.

Este problema é responsável da morte de sete a dez mães por ano, segundo a Fundação Britânica do Coração (BHF), que financiou a análise da Universidade de Bristol.

Os analistas assinalam em seu estudo que medir o nível da proteína VEGF165b na 12ª semana da gravidez pode ser um "bom indicador" do risco de desenvolver o mal.

Esta amostra permitiria seguir de perto a gestação da mãe, à qual poderia se fornecer aspirina, que ajuda a reduzir o risco de pré-eclâmpsia em 15%.

Estudos anteriores nos quais trabalhou o professor Dave Tacos, responsável pela pesquisa atual, indicavam que o grupo das proteínas VEGF tinha influência na pré-eclâmpsia.

Assim, tratou-se de estabelecer se uma proteína deste grupo, a VEGF165b, contribuía especialmente ao desenvolvimento da doença, pelo que se determinaram seus níveis durante a gravidez.

As amostras recolhidas indicaram que em gestações normais, havia um aumento da proteína VEGF165b com 12 semanas de gestação, enquanto nas mulheres que desenvolveram pré-eclâmpsia quase não havia elevação dessa proteína.

A análise sugere, então, que seu forte aumento se atrasa nas mulheres que têm pré-eclâmpsia para o final da gravidez.

O professor Jeremy Pearson, diretor médico associado da BHF, disse hoje que desenvolver uma prova de sangue para antecipar o desenvolvimento da pré-eclâmpsia é fundamental em medicina.

"Estes pesquisadores encontraram algo vital. Se confirmado por outros estudos, poderemos recorrer a uma prova de sangue que teria a possibilidade de salvar muitas vidas", acrescentou Pearson.

A médica Victoria Bills, que trabalhou nestes estudos, assinalou que, "apesar de não haver atualmente um medicamento que cure a pré-eclâmpsia, uma prova de VEGF poderia ser uma guia para fornecer aspirina, que diminui a incidência da pré-eclâmpsia em 15%, e identificar as mulheres que tenham sintomas, que deveriam ser observadas mais de perto pelo médico". EFE vg/jp

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