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Amos Gitai: Só mudarei de assunto quando o conflito no Oriente Médio acabar

Madri, 22 mai (EFE).- O cineasta israelense Amos Gitai afirmou hoje, em Madri, que só mudará a temática de suas obras quando o conflito no Oriente Médio acabar, já que não entende o cinema sem o compromisso de contribuir com o debate comum, criar posturas nesse diálogo.

EFE |

Em entrevista à Agência Efe, Gitai explicou que, no início de sua carreira, sugeriram a ele filmar comédias e romances, "mas a dramática situação no Oriente Médio não podia ser ignorada".

"Esse deve ser o papel da cultura. Só mudarei de assunto quando o conflito no Oriente Médio acabar", disse o diretor israelense, que está na capital espanhola para participar de várias atividades programadas pela Casa Sefarad-Israel.

Gitai debaterá com o público espanhol seus dois últimos filmes que estrearam no país: "Terra prometida", que analisa o tráfico de mulheres para a prostituição no Leste Europeu, e "Free Zone", o encontro em um táxi de uma palestina, uma judia e uma americana.

O cineasta israelense estudava Arquitetura quando a Guerra do Yom Kippur interrompeu seus planos, e encontrou sua vocação em uma câmera Super-8.

Desde então, sua obsessão foi relatar o conflito do Oriente Médio ao longo de mais de 40 títulos.

Gitai classifica sua filmografia em fases, em muitos casos através de trilogias, para "mostrar de um modo mais amplo a verdadeira imagem do Oriente Médio, habitualmente caricaturizado na televisão, inclusive nos noticiários, que resumem uma realidade em 20 segundos".

"A realidade é mais contraditória. Os meios de comunicação oferecem várias vezes a mesma mensagem, quando a realidade é que a cada dia o destino desse conflito está sendo escrito. O acontece hoje muda o amanhã", segundo.

Para o cineasta, "ao contrário da Europa, o drama no Oriente Médio ainda não é passado, está acontecendo agora, e é algo de que o cinema israelense não pode escapar".

"Espero que em 60 ou 70 anos, esse sofrimento seja uma lembrança remota para os diretores do meu país, e então se analise como a reconciliação poderia ter acontecido antes. Mas agora é um complexo exercício de análise que deve ser enfrentado", afirmou Gitai. EFE hlm/wr/gs

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