Amorim volta a pedir reforma do Conselho de Segurança da ONU

Moscou, 15 mai (EFE).- O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, afirmou hoje que chegou a hora de reformar o Conselho de Segurança da ONU, às vésperas de uma reunião ministerial entre Brasil, Rússia, Índia e China.

EFE |

"O assunto da reforma do Conselho de Segurança está sendo discutido entre as quatro paredes da ONU há mais de 15 anos. O Brasil acredita que chegou a hora de passar aos fatos", declarou Amorim à agência russa "Interfax".

O ministro assegurou que o Brasil está disposto a participar de maneira construtiva de tal processo, que deveria levar sem demora a uma decisão sobre a reforma.

"Muitos países, entre eles a Rússia, vêem o Brasil entre os membros permanentes do Conselho de Segurança. Agradecemos encarecidamente por esse apoio, e estamos dispostos a contribuir ainda mais para a conservação da paz e da estabilidade", acrescentou.

O chefe da diplomacia brasileira assegurou que não faz sentido conservar o Conselho de Segurança em seu atual composição de apenas cinco membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China.

"É necessário ampliar seu número, tanto no que se refere aos permanentes como aos não-permanentes, garantindo o acesso a países em desenvolvimento", apontou.

Segundo Amorim, esse é o desejo da maioria dos membros da comunidade internacional, pois essa decisão tornaria o Conselho de Segurança "mais legítimo, representativo e efetivo".

"Desde 1945 ocorreram significativas mudanças econômicas e geopolíticas na arena internacional. O número de países-membros da ONU aumentou de 51 para 192", disse Amorim, acrescentando que a maior parte dos novos integrantes vem de África, América Latina e Ásia.

O Brasil, acrescentou, "respalda o sistema internacional baseado na multipolaridade, e no respeito às normas do direito internacional".

Amorim participará amanhã, sexta-feira, na cidade russa de Yekaterimburgo, na região dos Urais, de uma reunião ministerial entre Brasil, Rússia, Índia e China, países que formam o chamado grupo dos Bric, que reúne as maiores países de economia emergente do mundo.

"Os Bric poderiam servir de ponte entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento na hora de garantir um desenvolvimento sustentado e uma política econômica internacional mais equilibrada", assinalou.

Às vésperas de sua visita a Moscou, Amorim afirmou que o Brasil tem interesse em desenvolver a cooperação com a Rússia na esfera do uso pacífico da energia nuclear.

A Chancelaria russa informou hoje, por sua parte, que negocia com o Brasil um convênio de isenção de vistos, similar ao que o país já firmou com Israel. EFE io/gs

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