Amorim viaja amanhã para o Haiti

Rio de Janeiro, 21 jan (EFE).- O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, anunciou hoje que viaja nesta sexta-feira para Porto Príncipe para avaliar a missão humanitária e de segurança conduzida pelos capacetes azuis brasileiros que lideram a Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah).

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Amorim negou que haja qualquer mal-estar com os Estados Unidos relacionado ao papel dos milhares de soldados enviados pelo país ao Haiti para dar assistência após o terremoto do último dia 12 e declarou que o objetivo de sua visita é ver o trabalho da tropa brasileira e se reunir com autoridades.

"O Brasil desempenha seu papel dentro da Minustah e os EUA estão mandando forças que dão ajuda efetiva na parte humanitária, mas a ida para lá (Haiti) me permitirá ver melhor", disse o ministro no Rio de Janeiro, após participar de uma homenagem póstuma ao diplomata Luiz Carlos da Costa, segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, morto no terremoto.

Países latino-americanos como Venezuela, Bolívia e Nicarágua criticaram o envio de mais de dez mil soldados americanos ao Haiti, o que consideram como uma "ocupação militar". Já nações como a França questionam o controle que os EUA têm sobre o aeroporto de Porto Príncipe.

Ao comentar esses assuntos, Amorim insistiu em que o Brasil, apesar de ser o país que lidera a Minustah, não tem atritos com os EUA no que diz respeito ao socorro aos haitianos.

"Não estamos disputando liderança (no Haiti) com ninguém. Fez-se muito barulho em torno de eventuais suposições mesquinhas de que o Brasil estaria disputando liderança com os EUA", afirmou o ministro.

Amorim comentou que, após sua visita a Porto Príncipe, segue para Montreal (Canadá), onde participa na próxima segunda-feira da cúpula que servirá para planejar a recuperação do Haiti.

"Nosso compromisso com o Haiti fica reforçado em virtude das vidas já sacrificadas. Essas mortes não podem ser em vão", disse o chanceler.

Amorim lembrou que o Governo pediu ontem ao Senado a autorização para o envio de mais 800 soldados ao Haiti para reforçar o contingente de 1.266 capacetes azuis do Brasil no país.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) do dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, acredita que o número de mortos superará 100 mil.

O Exército brasileiro informou que 18 militares do país que faziam parte da Minustah morreram em consequência do terremoto.

Entre os civis - além da médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e de Costa -, foi informado nesta quarta-feira que outra mulher também morreu no tremor, aumentando para 21 o número total de vítimas brasileiras. EFE af/bba

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