Amorim sugere que EUA não queriam acordo com Irã

Chanceler diz que "muita gente" está "decepcionada" com o fato de Brasil e Turquia terem assinado pacto com país persa

Anderson Dezan e Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sugeriu nesta sexta-feira que os Estados Unidos torciam para que o Brasil e a Turquia não conseguissem um acordo de troca de combustível com o Irã. "Acho que tem muita gente decepcionada porque (o documento) deu resultado", afirmou o chanceler, durante entrevista no Fórum da Aliança de Civilizações das Nações Unidas, no Rio de Janeiro.

As afirmações foram feitas quando jornalistas pediram que Amorim comentasse uma declaração da secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Na quinta-feira, Hillary afirmou que Brasil e Estados Unidos têm "divergências sérias" quanto ao Irã.

"(O acordo com o Irã) é cultura da paz, o resto é cultura do conflito, punitiva. Buscamos o caminho di diálogo, da conversa, do entendimento", afirmou o chanceler em tom veemente e quase irritado.

"Acho que tem muita gente decepcionada porque (o acordo) deu resultado. Eles esperavam que não desse, porque a expectativa deles era continuar com a mesma linha", acrescentou. "Como deu certo, eles ficam nervosos. Como estão insistindo para continuar na mesma linha, eles ficam nervosos, mas nós estamos calmos", disse.

O ministro das Relações Exteriores voltou a defender e a justificar a atuação do Brasil na mediação do acordo com o Irã. “Seguimos o script combinado. Não somos países irresponsáveis, não estamos em um esforço de conflito. Discutimos com todos, especialmente com nossos amigos, como os EUA", afirmou. "Temos de tomar como válido, eles nos encorajaram para concluir o acordo”.

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