Madri, 16 fev (EFE).- O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sugeriu hoje a possibilidade de que o assunto mais complicado na negociação entre Mercosul e União Europeia (UE) para um acordo de associação, o agrícola, seja deixado de lado para que as linhas gerais do pacto sejam finalizadas em maio.

O chanceler se declarou convencido, em entrevista à Agência Efe, de que é possível assinar um acordo já com bases em meados de maio, quando os países da União Europeia e da América Latina realizarão uma cúpula em Madri.

Dada a estagnação da Rodada de Doha, para poder avançar e concluir esse acordo a possibilidade citada por Amorim seria deixar por enquanto à parte o tema agrícola. Segundo ele, "a questão central da eliminação dos subsídios agrícolas só pode ser resolvida em um plano global" no marco da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O ministro destacou, porém, que para optar por essa via seria preciso evitar que os subsídios "ataquem" os mercados brasileiros diretamente.

De acordo com o chanceler, as mudanças registradas no mundo nos últimos anos aconselham a enfrentar a negociação do acordo de associação entre UE e Mercosul (Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, com a Venezuela em processo de adesão) com atitude mais flexível.

Amorim disse ter visto "vontade política" de se chegar a um acordo após ter se reunido na segunda-feira em Madri com o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, com o chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos, e com a alta representante da UE Catherine Ashton.

Também falou do apoio já demonstrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por outros países do Mercosul.

A Espanha exerce este semestre a Presidência rotativa da União Europeia e a Argentina, a do Mercosul. Tais circunstâncias são consideradas propícias para impulsionar o acordo que os dois blocos negociam há dez anos.

As negociações foram interrompidas em 2006 pelas divergências no campo do comércio de bens industriais, no qual a UE quer maior acesso, e no agrícola, onde os sul-americanos pedem maiores facilidades.

Além disso, a UE decidiu estabelecer uma relação entre a negociação com o Mercosul e um acordo na Rodada de Doha. EFE mlg/rr

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