Amorim revela que negou avião a Zelaya para voltar a Honduras

São Paulo, 29 set (EFE).- O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, revelou hoje que negou pessoalmente ao deposto presidente de Honduras, Manuel Zelaya, um avião que pretendia usar para retornar a seu país.

EFE |

"Vou contar aqui algo que não foi tornado público. Foi pedido um avião brasileiro para que o presidente Zelaya retornasse e nós negamos", disse Amorim, em um comparecimento perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado, para explicar o papel do Brasil na crise em Honduras.

O chanceler disse que Zelaya lhe pediu, por telefone e pessoalmente, o avião, porque o Brasil tinha cedido um ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.

O chefe da OEA usou o avião brasileiro para viajar a Tegucigalpa depois do golpe militar que, em 28 de junho, tirou do poder o líder hondurenho, com a intenção de mediar no conflito.

No entanto, Amorim, que sempre defendeu que o Brasil não sabia dos planos de Zelaya de retornar a seu país e de se refugiar na embaixada brasileira, não esclareceu quando foi feito o pedido por parte de Zelaya.

Durante o comparecimento, o chefe da diplomacia brasileira também defendeu sua decisão de permitir o acesso do presidente hondurenho à Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, em 21 de setembro.

Nesse sentido, qualificou a situação de Zelaya na embaixada como "única e singular no âmbito da diplomacia internacional", e esclareceu que não se trata de um asilo político, mas de "um presidente legítimo que foi deposto e que voltou a seu país para retornar ao poder".

"Um presidente legítimo, assim reconhecido pela comunidade internacional, que quase literalmente tocou à nossa porta. Então, consideramos correto dar-lhe abrigo", acrescentou.

O ministro especulou o que teria acontecido a Zelaya se não pudesse entrar na embaixada, onde está desde semana passada: "talvez teria sido preso, talvez morto ou até poderia estar em uma serra planejando uma guerra civil". EFE az/an

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