Cairo, 27 dez (EFE).- O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, propôs hoje somar mais atores ao processo de paz no Oriente Médio com o objetivo de dar ar fresco aos países envolvidos até agora.

Amorim fez a proposta depois de se reunir com o chanceler egípcio, Ahmed Aboul Gheit, como parte de uma visita oficial ao Egito, na qual foi incluída, também hoje, uma reunião com o presidente egípcio, Hosni Mubarak.

Em entrevista coletiva, e perguntado sobre a possibilidade de que o Brasil possa atuar como mediador nos conflitos do Oriente Médio, Amorim, que disse falar de uma posição "muito humilde", reconheceu que não existe uma "fórmula mágica" e que foram apresentadas muitas ideias "durante muito tempo".

"Acreditamos que o fato de ter mais atores envolvidos neste processo pode fornecer um pouco mais de ar fresco caso os que estiveram envolvidos durante muito tempo tenham dificuldades para contribuir", disse Amorim.

O Brasil, acrescentou Amorim, pode fornecer "um movimento conciliatório na região", levando em conta que o país "viveu em paz com seus vizinhos durante muito tempo", mas sem que isso signifique que as autoridades brasileiras pensem que chegarão ao Oriente Médio "para resolver os problemas".

"No entanto, algumas vezes é preciso alguém de fora que não esteja envolvido nos conflitos diários e que seja capaz de dizer 'Por que não tentam este caminho?' ou ' Por que não fazem isto? O que podemos fazer é ajudar no diálogo", disse.

Aboul Gheit, que o acompanhou na entrevista coletiva, afirmou que, na reunião com Amorim, os dois Governos acordaram sentar as bases de uma relação estratégica que incluísse uma reunião anual de ministros.

Os dois expressaram sua intenção de aprofundar os contatos entre os dois Governos e de fomentar a troca comercial, que se quadruplicou nos últimos sete anos.

"Estamos só no começo. Esperamos que, se for fechado o acordo de livre-comércio, seja possível aumentar o comércio em três ou quatro vezes mais", acrescentou Amorim. EFE ag-hh/pd

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