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Amorim pede empenho e rigor na investigação de ataque à brasileira na Suíça

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu à cônsul do Brasil na Suíça, Vitória Cleaver, que haja empenho e rigor na apuração do ataque à brasileira Paula Oliveira por suposts neonazistas. A assessoria do ministério confirmou ainda que Vitória já mantém contato com o pai de Paula.

Redação com agências |

Amorim pediu também para a área consular brasileira convidar o embaixador da Suíça no Brasil, Wilhelm Meier, para uma conversa sobre o caso da brasileira Paula Oliveira. Ela foi agredida por supostos neonazistas na última segunda-feira, na cidade de Zurique. A expectativa, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores, é de que o encontro entre Celso Amorim e Wilhelm Meier aconteça ainda nesta quinta-feira.

A assessoria do ministério classificou a agressão à brasileira como "brutal" e informou que Paula se recupera bem. A polícia suíça deve divulgar na tarde de hoje um relatório sobre o caso .

Ataque brutal

A advogada brasileira Paula Oliveira, grávida de três meses de gêmeas, foi atacada e torturada por três supostos neonazistas na noite de segunda-feira na cidade suíça de Dubendorf, na periferia de Zurique. Os agressores inscreveram, com um estilete, a sigla "SVP" - iniciais em alemão do "Partido do Povo Suíço", de extrema direita - na barriga e nas pernas da brasileira. O ataque fez com que Paula, noiva de um suíço, abortasse.


Agressores marcaram brasileira com sigla de partido de extrema direita / AE

O caso ganhou contornos políticos depois que a cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitória Clever, constatou que a polícia suíça sequer abriu investigação para identificar os agressores.

"Trata-se claramente de um ataque xenófobo", afirmou Vitória, que nesta quinta-feira vai até o escritório central da polícia exigir esclarecimentos. "Se for necessário, levaremos o caso às mais altas instâncias", acrescentou, indicando que o Itamaraty pode pedir também explicações à Embaixada da Suíça em Brasília.

Paula, uma pernambucana de 26 anos, trabalha na multinacional Maersk e, segundo o Itamaraty, vive legalmente na Suíça. Ela foi atacada quando voltava do trabalho, após desembarcar na estação de trem perto de sua casa. Paula falava ao telefone celular com a mãe, que estava no Recife, quando foi cercada pelos três rapazes de cabeça raspada.

Levada para um parque, foi espancada por 15 minutos e teve sua roupa parcialmente arrancada. Um deles usou um estilete para cortar barriga, braços, rosto, tórax e pernas. "Ela ficou marcada em várias partes do corpo", disse a cônsul. Paula disse que um dos agressores tinha uma suástica tatuada no corpo.


Paula ficou com o corpo marcado após agressão / AE

Paula é filha de Paulo Oliveira, secretário parlamentar do ex-governador de Pernambuco e deputado federal Roberto Magalhães (DEM-PE). Os pais da brasileira chegaram ontem a Zurique e nesta quinta-feira pretendem buscar informações sobre a investigação.  

Segundo o pai da brasileira, Paulo Oliveira, o ataque aconteceu quando havia poucas pessoas na rua. "Ela levou mais de cem estiletadas, no braço, na perna, no peito, no ventre, onde você possa imaginar", afirmou Oliveira, dizendo que a filha ficou em estado de choque. "Em determinado momento, ela se refugiou no banheiro do metrô e ligou para o companheiro, que chamou a ambulância e a polícia".

Oliveira, que já está em Zurique, disse que a filha está melhor fisicamente, mas "emocionalmente péssima". "Ela está tratando as sequelas do aborto e voltou ao hospital para tomar coquetel antiviral, já que não se sabe se o instrumento que a cortou estava contaminado de alguma forma", contou.

Ataques xenófobos

Nos últimos meses, ataques xenófobos têm ganhado força na Europa diante de um discurso cada vez mais racista dos partidos de extrema direita.

Na Suíça, a crise financeira internacional e o aumento do desemprego deram popularidade aos partidos políticos que defendem medidas contra a imigração. Casos de ataques contra estrangeiros aumentaram, mas, até agora, os brasileiros não eram os alvos preferidos - as principais vítimas são imigrantes turcos, ex-iugoslavos e africanos.

Assista ao vídeo sobre o caso:



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* Com Agência Brasil e Agência Estado

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