Genebra, 29 jul (EFE).- O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu hoje que os países que estão dificultando um acordo sobre a Rodada de Doha para a liberalização comercial - principalmente Índia, China e EUA - parem de trocar acusações e tomem as rédeas da negociação, para que esta não fracasse.

Cerca de 30 ministros da Organização Mundial do Comércio (OMC) continuam hoje, pelo nono dia, as discussões para desbloquear a Rodada de Doha, que tem por objetivo a abertura de mercados agrícolas e industriais e que esta madrugada esteve a ponto de fracassar.

Ao chegar à reunião, Amorim disse que, neste momento "crucial", não interessa culpar países concretos sobre a falta de avanços nas conversas, mas todos "devem tomar as rédeas" para que a negociação termine com sucesso.

Amorim respondeu assim a perguntas sobre a posição da Índia e da China, que estão dificultando um acordo devido a suas demandas para proteger seus mercados agrícolas e conservar as salvaguardas contra as importações de produtos como algodão, açúcar e arroz.

Neste sentido, o ministro brasileiro advertiu que "os países desenvolvidos também têm interesses ofensivos agrícolas".

"Toda história tem também seu outro lado", disse.

Na negociação, os Estados Unidos mantêm uma posição dura e se nega a reduzir os subsídios a seus agricultores, concretamente ao algodão.

"O que interessa agora é tomar as rédeas (da negociação) como nós fizemos, contribuindo entre todos para que a Rodada de Doha seja um êxito".

O objetivo da reunião, que começou no último dia 21, é propiciar um pacto para que não sejam desperdiçados sete anos de trabalho, pois a Rodada de Doha começou em 2001, na capital catariana, com o fim de aprofundar na liberalização do comércio mundial.

A intenção era chegar a um pacto sobre mercados agrícolas e industriais para que a rodada termine no final de 2008.

"Se a negociação não terminar agora (esta semana), não vejo como terminará em poucos meses", disse o chanceler brasileiro, Sobre as exigências do Uruguai e do Paraguai, porque temem o impacto em sua agricultura, devido ao mecanismo de salvaguarda que está sendo negociando, o chanceler brasileiro acrescentou que "são legítimas", mas que todos devem colaborar para um acordo.

Se alguns países como Índia, China e EUA aproximarem suas posturas, haverá "base para um acordo", disse Amorim. EFE ms/an

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