Amorim pede diálogo entre Morales e oposição boliviana

Rio de Janeiro, 2 set (EFE).- O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim defendeu hoje que o Governo do presidente boliviano, Evo Morales, promova um diálogo com os líderes da oposição que reivindicam autonomia para suas províncias, permitindo o reconhecimento da realidade regional no país vizinho.

EFE |

"É necessário que haja um diálogo que reconheça que o presidente Evo Morales tem o apoio da maioria do povo boliviano, mas que existe uma realidade regional (de apoio às autonomias) que tem que ser reconhecida de alguma maneira", disse Amorim em coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.

O chanceler disse que o Brasil defende que ambas as realidades sejam reconhecidas e que as duas partes tentem se entender mediante um diálogo.

"Há dois fatores importantes na Bolívia. O primeiro é que o presidente Evo Morales teve uma incontestável vitória que o consagrou no referendo revogatório, no qual recebeu pouco mais de dois terços dos votos, e ninguém pode discutir que tem o apoio da grande maioria do povo boliviano", comentou.

"Mas, por outro lado, também é verdade que, em algumas províncias que tinham promovido referendos autonomistas, alguns governadores também obtiveram vitórias importantes no referendo. Tem que haver um diálogo para resolver essa situação", acrescentou.

Amorim disse que Brasil, Argentina e Colômbia se ofereceram para criar um grupo para ajudar esse diálogo, mas que a ajuda, até agora, não foi solicitada.

"Mas acho que em algum momento vai ser necessária (a atuação do grupo) porque é uma realidade indiscutível", declarou.

Os protestos dos opositores a Morales se intensificaram em 10 de agosto, quando o mandato do presidente foi ratificado em referendo.

Os governadores departamentais e dirigentes cívicos da chamada meia-lua, integrada pelos departamentos opositores de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, realizam um plano de protestos para exigir do Governo Morales a devolução das rendas petrolíferas e outras reivindicações autonomistas.

Estes protestos incluíram desde uma greve geral e o corte da provisão de carne bovina até o bloqueio indefinido de estradas nacionais e internacionais no sudeste do país. EFE cm/bm/rr

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