SÃO PAULO (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu nesta segunda-feira um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza durante encontro com o premiê palestino, Salam Fayyad, e disse que o povo de Gaza é o que mais sofre com o confronto que já matou mais de 900 pessoas. A (minha) presença é uma solidariedade ao povo palestino. O povo palestino é realmente o que mais está sofrendo, disse Amorim a jornalistas após o encontro, em Ramallah, na Cisjordânia, segundo áudio divulgado pelo Itamaraty.

"Não vamos pensar em saber aqui de quem é a culpa, mas o povo palestino, mulheres, crianças, todo dia tem morrido. E isso tem que parar, isso tem que parar rapidamente. Esta é a opinião de toda a comunidade internacional."

Amorim insistiu na implementação de uma resolução redigida na quinta-feira pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, que exige um cessar-fogo "imediato e durável" para o conflito que chegou nesta segunda-feira ao 17o dia. O premiê israelense, Ehud Olmert, disse que o plano é "inviável".

"Nós temos uma resolução do Conselho de Segurança, que deve ser cumprida e pressupõe várias coisas. Ela pressupõe que um cessar-fogo, a retirada de tropas israelenses de Gaza. Ela pressupõe a abertura de passagens, não só humanitárias, mas para a vida normal do povo de Gaza. E ao mesmo tempo, do lado de Israel, controles adequados, para que não haja contrabando de armas e outros aspectos", disse Amorim.

"Nós temos que implantar essa resolução. O que existe de mais imediato é buscar formas de implementar a resolução", afirmou.

Na reunião, Amorim e Fayyad conversaram também sobre a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que seja realizada uma conferência para discutir a situação no Oriente Médio. Amorim e Fayyad sugeriram que o encontro fosse de cúpula.

O chanceler brasileiro disse a Fayyad que é importante que ocorra o encontro seja realizada, desde que "as condições sejam adequadas e que sobretudo a liderança palestina não esteja tão enfraquecida por esses ataques" de Israel, "de modo a tirar sentido prático dessa conferência".

ENTREGA

Amorim está em viagem ao Oriente Médio como parte dos esforços internacionais para mediar um cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

Ele iniciou a visita no domingo em Damasco, onde se reuniu com o presidente da Síria, Bashar al Asad.

Também no domingo, em Jerusalém, encontrou-se com a chanceler e candidata a premiê de Israel, Tzipi Livni. No encontro com a colega, Amorim diz ter usado a posição dos Estados Unidos diante da resolução do Conselho de Segurança da ONU como argumento a favor do cessar-fogo na região.

"Como eu disse ontem à ministra do Exterior, Tzipi Livni, não é trivial que os Estados Unidos tenham se abstido. Não votaram a favor (da resolução), mas também não vetaram. E, se eles se abstiveram, é porque estão começando também a sentir a pressão da opinião pública no mundo inteiro para que esses ataques cessem imediatamente", afirmou.

Na terça-feira, Amorim viaja para a Jordânia, onde participa de uma cerimônia de entrega oficial de 14 toneladas de donativos do Brasil aos palestinos da Faixa de Gaza.

(Por Fabio Murakawa)

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