O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, rejeitou nesta segunda-feira a avaliação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha sido alvo de uma espécie de rolo compressor no Parlamento israelense (Knesset), em referência a três discursos nos quais a iniciativa brasileira de buscar o diálogo com o Irã foi questionada de forma contundente.

"Não acho que houve um rolo compressor. Isso era uma coisa esperada. Sabemos que as posições eram essas", disse Amorim.

Antes de iniciar seu discurso no Knesset, Lula ouviu discursos do presidente do Parlamento, Reuven Rivlin, do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu , e da líder da oposição, Tzipi Livni, contra a aproximação entre Brasil e Irã.

AFP
Lula com o premiê israelense, Benyamin Netanyahu

Lula com o premiê israelense, Benyamin Netanyahu


Amorim disse que não houve nenhum tipo de ataque contra a posição brasileira, apenas uma expressão franca de opiniões "entre amigos".

"O presidente Lula também mencionou um tema muito delicado no Knesset, a questão das casas (assentamentos), nem por isso deixou de ser aplaudido de pé", acrescentou Amorim.

'Benefício da dúvida'

O ministro brasileiro voltou a defender a opção brasileira de se aproximar do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, dizendo que "nem nós estamos convencidos a priori" sobre as intenções do país, mas sim dando "o benefício da dúvida" ao Irã.

"Se o benefício da dúvida tivesse sido dado de maneira correta ao Iraque, teríamos evitado, sei lá, 200 mil mortes", afirmou.

Amorim comparou também a certeza que Israel demonstra ter sobre as intenções do governo iraniano com a certeza que se tinha sobre a presença de armas de destruição em massa no Iraque.

"Nós sabemos de situações anteriores em que houve muitas certezas a respeito, por exemplo, da existência de armas no Iraque, certezas que se comprovaram nulas, mas à custa de uma guerra que levou muitas vidas", disse.

"Ninguém pode dizer que os casos são iguais, mas são semelhantes", comparou.

Sobre as divergências óbvias entre as posições do governo brasileiro e as de seus anfitriões sobre o Irã, Amorim disse: "Não é uma diferença de estratégia, é uma diferença sobre a tática", destacando que não há desacordo sobre a necessidade de se buscarem garantias de que o programa nuclear iraniano não seja usado para fins militares.

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