Bogotá, 23 jun (EFE).- O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tem uma boa compreensão das mudanças em curso na América Latina.

Em entrevista publicada hoje pelo jornal colombiano "El Tiempo", Amorim também classificou como "algo muito positivo" o fato de o chefe de Estado americano não dividir o mundo "entre bons e maus, "entre amigos e inimigos".

Segundo o chanceler brasileiro, Obama tem um "sentimento diferente frente às relações entre Estados Unidos e a América Latina".

"Sem estar de pronto acordo com muitas coisas, (Obama) tem algo muito positivo que alguma vez não foi comum entre os políticos norte-americanos, que é não dividir o mundo entre bons e maus, entre amigos e inimigos", declarou.

Amorim frisou que essa é uma boa característica de Obama e que talvez consiga impregnar toda a visão americana sobre a região.

"E não só sobre a América Latina, mas também sobre o Oriente Médio e a relação com o mundo islâmico", disse o chanceler.

A respeito do chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez, declarou que este e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva são "amigos pessoais" e se veem foram das reuniões multilaterais e regionais.

"O presidente Chávez é uma pessoa com muita força de vontade. Foi eleito democraticamente e se submeteu a muitos testes democráticos, tendo respeitado o resultado daquele no qual perdeu", lembrou Amorim.

O ministro brasileiro também ressaltou que foi o próprio Chávez que publicamente disse que havia pedido a Lula que intercedesse junto a Obama em nome de uma melhora na relação com os Estados Unidos.

No entanto, na entrevista, Amorim se recusou a comentar a possibilidade de Chávez fechar outro canal de TV. Essas são "decisões soberanas da Venezuela", afirmou.

O chanceler acrescentou que nenhum tipo de condição poderia ser imposta ao reingresso de Cuba à Organização dos Estados Americanos (OEA), já que isso teria significado "um novo julgamento contra o Governo (da ilha), e a situação, em vez melhorar, pioraria".

"Também não poderia ser uma coisa automática, até porque Cuba está dizendo que agora não quer voltar. Depois terá que haver um diálogo a respeito", declarou.

Em outro trecho da entrevista, o ministro disse que o Brasil está disposto a participar, com a devida autorização de Bogotá, de uma operação humanitária na Colômbia. A ideia, "sem nenhuma intenção política", é facilitar a libertação de mais reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), como já fez no começo do ano.

Amorim lembrou que, a pedido da ONU, o Governo do Brasil ofereceu seu território para uma conversa sobre uma troca de reféns com as Farc, "mas isso não aconteceu". EFE fer/sc

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