Amorim e senadores discutem posição brasileira sobre situação em Honduras

BRASÍLIA - A reunião extraordinária da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado discute nesta terça-feira o posicionamento brasileiro sobre a situação política em Honduras. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, participa da reunião e presta esclarecimentos sobre o caso.

Camila Campanerut, repórter em Brasília |


O chanceler afirmou que a ação do governo brasileiro contribui para o diálogo. "Ele (Zelaya) teria sido preso, talvez morto (sem o apoio do Brasil)", disse, citando ainda a possibilidade de o conflito culminar em uma guerra civil. "A solução real virá pelo diálogo e pelo restabelecimento da democracia."

O ministro ponderou que o Brasil está apoiando uma vítima de um golpe de Estado. Não foi apenas uma pessoa que estava procurando refúgio. Foi um presidente legítimo que procurava o apoio da embaixada, justificou.

O chanceler aponta que a proteção de Zelaya foi referendada por outras entidades internacionais, como a Organizações dos Estados Americanos (OEA) e Organização das Nações Unidas (ONU). Não fomos protagônicos, fomos fazendo o que achávamos o que tinha de fazer. O Brasil não comandou nenhum processo, disse.

Atualmente, cerca de 60 pessoas estão na embaixada brasileira em Honduras, entre amigos, familiares e apoiadores de Zelaya, além de funcionários brasileiros. Segundo Amorim, o Brasil quer diminuir este número.

"Isso sempre foi uma preocupação nossa. Num primeiro momento, eram perto de 300 pessoas, mas conseguimos que fossem retiradas aos poucos, em função até das condições humanas de convivência lá dentro", afirmou.

Amorim reiterou que o governo brasileiro ficou sabendo da entrada de Zelaya em Honduras apenas cerca de meia hora antes de sua chegada ao local. Falei com ele (Zelaya), que nos disse que estaria indo (a Honduras) para tratar do retorno dele à presidência, por meios pacíficos e diálogo, contou o chanceler.

O ministro avisou que há previsão de duas reuniões sobre a crise: uma no dia 2 de outubro com membros da OEA e outra oficial, com a presença do secretário -geral da entidade, José Miguel Insulza, no dia 7.

Durante a reunião, os senadores da oposição, José Agripino (DEM-RN) e Sérgio Guerra (PSDB-PE), condenaram o uso político do caso. Zelaya está lá (na embaixada) em uma situação que favorece os aliados dele, apontou Guerra. 

Visita de deputados brasileiros

Uma comissão de cinco deputados federais brasileiros deve desembarcar na quarta-feira em Tegucigalpa , capital de Honduras. O objetivo da viagem é ver as condições dos brasileiros e dos funcionários da embaixada do Brasil no país, que há mais de uma semana tem servido de abrigo ao presidente deposto, Manuel Zelaya.

Na capital hondurenha, os deputados brasileiros farão uma visita ao Parlamento local e à embaixada do Brasil. De acordo com o presidente da comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Severiano Alves (PDT-BA), a comissão não irá tratar sobre o retorno de Zelaya ao poder. "A comissão não tem a intenção de dialogar com o governo local. Trata-se de uma visita ao Parlamento do país", afirma Alves.

"O objetivo é exclusivamente voltado para a comunidade brasileira no país e para os funcionários da embaixada", reforçou o coordenador da comitiva, o deputado Raul Jungman (PPS-PE).

A comitiva não irá desembarcar em Tegucigalpa em voo da Força Aérea Brasileira. O grupo descerá em El Salvador e tomará um voo comercial até a capital de Honduras. "Não vamos desembarcar em Tegucigalpa porque a diplomacia brasileira não reconhece o governo local, então chegaremos como cidadãos", disse Jungman.

Quanto aos custos da viagem, Jungman reforçou que os gastos ficarão por conta dos deputados, e não da Câmara. Segundo ele, não haveria tempo hábil para aprovar a liberação dos recursos. Jungman afirmou ainda que o dinheiro não será reembolsado. Esses gastos incluem o voo comercial entre El Salvador e Tegucigalpa, hospedagem e alimentação. O retorno da comissão está previsto para sexta-feira.

* Com reportagem de Sarah Barros e informações da Agência Brasil

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