Amorim diz que pedirá mais garantias à Colômbia sobre bases

Rio de Janeiro, 11 set (EFE).- O chanceler Celso Amorim disse hoje que o Brasil insistirá, na reunião do Conselho de Defesa Sul-Americano, que a Colômbia deve ser transparente e dar garantias de que o acordo com os Estados Unidos não será uma ameaça para os demais países da região.

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"Pediremos transparência, medidas que gerem confiança e garantias", afirmou Amorim em coletiva de imprensa com correspondentes estrangeiros no Rio de Janeiro.

O ministro disse que o polêmico acordo, que permitirá aos EUA o uso de até sete bases militares colombianas em operações contra o narcotráfico, é um assunto "que incomoda não só ao Brasil, mas a todos ou quase todos os países da América do Sul".

"Não é que o Brasil se veja ameaçado", ressaltou Amorim, mas qualquer país se "preocupa em ter perto de seu território bases estrangeiras de grandes potências".

O ministro indicou que muitas vezes o temor de ameaças externas pode ser exagerado, e por isso insistiu na necessidade de que a Colômbia dê garantias de que a presença militar dos EUA se restringirá a seu território e aos fins para os quais foram estipuladas, pois ajudaria a criar um clima de confiança.

Nesse sentido, disse que o assunto das garantias é onde há "maiores resistências por parte da Colômbia", apesar de nesta semana o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, ter ido a Brasília para tratar o tema.

"Não se pode substituir garantias por declarações de imprensa vagas", disse Amorim, em aparente referência a uma entrevista em que Bermúdez assinalou que o próprio acordo militar com os EUA contém essas garantias.

O Conselho de Defesa da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se reunirá na próxima terça-feira no Equador, como foi acordado na última cúpula do organismo, no fim de agosto em Bariloche (Argentina).

Embora a reunião tenha sido convocada fundamentalmente para tratar sobre o acordo militar de EUA e Colômbia, alguns países querem colocar outros assuntos do âmbito da defesa, como a luta contra o terrorismo e as recentes compras de armas por alguns Governos da região.

Amorim assinalou que para os líderes da região seria interessante tratar o tema também com o presidente dos EUA, Barack Obama, para esclarecer os objetivos.

"Não posso esconder que há uma certa ansiedade em toda a região" em tratar o tema diretamente com Obama, disse o ministro, que esclareceu que essa é uma decisão que corresponde ao próprio presidente americano. EFE joc/rr

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