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Amorim diz que há surdez do governo de facto hondurenho

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta segunda-feira que há um estado de surdez em relação à comunidade internacional por parte do governo de facto de Honduras.

Redação com agências internacionais |


Em entrevista coletiva no Itamaraty, Amorim afirmou que o Brasil virou guardião de um presidente eleito democraticamente, em referência ao presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya, abrigado na embaixada brasileira na capital de Honduras há uma semana.

OEA

Também nesta segunda-feira, o embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), Ruy Casaes e Silva, pediu uma resposta "taxativa" da comunidade internacional diante da falta de disposição ao diálogo do governo de Honduras.

"Não tenho dúvida de que existem as condições para dizer que há uma ameaça à paz internacional e nesse contexto a comunidade internacional deve responder de maneira inequívoca, de forma absolutamente taxativa", afirmou.

"Parece que o regime de facto não tem nenhuma disposição de negociar", disse o embaixador, durante o conselho extraordinário na OEA. "No diálogo que houve há algumas semanas não se mostrou claramente qual é a verdadeira disposição dos dirigentes do regime de facto".

Para o embaixador, "a cada minuto introduziam um ponto novo, uma condição nova, porque para eles tanto faz que a OEA tenha suspendido o Estado hondurenho".

"Estaríamos nos enganando se pensássemos que podemos estabelecer um diálogo com essas pessoas", disse o representante brasileiro, que considerou que a declaração do estado de emergência por parte do governo hondurenho "é uma prova inequívoca da disposição de não dialogar".

"Querem manter um regime mais fechado e autoritário", considerou o diplomata brasileiro, para quem a única coisa que o governo procura é "permanecer" no poder, ignorando as advertências da comunidade internacional, em uma "tática suicida". Na sua opinião, "chegou o momento de avançar e de dar um passo adiante na defesa de sua missão diplomática".

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