Amorim diz que crise põe Objetivos do Milênio em perigo

Nações Unidas, 26 jun (EFE).- A crise econômica e financeira gerada pelos países ricos colocou os Objetivos do Milênio (ODM) contra a pobreza em perigo, disse hoje o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim.

EFE |

O chanceler brasileiro, que participa dos debates na Assembleia Geral das Nações Unidas hoje, afirmou que "a possibilidade de alcançar os ODM em 2015 corre sério perigo".

"A contração da demanda e a redução do comércio com os países pobres debilita as perspectivas de recuperação", disse Amorim.

O diplomata explicou que, no meio desta situação, boa parte dos progressos econômicos alcançados por esses países nos últimos anos "se perderam ou se reduziram muito".

Amorim se referiu, também, ao impacto da crise sobre o comércio internacional e o acesso aos mercados, por isso pediu aos participantes destes debates que levem em conta a importância de uma conclusão bem-sucedida das negociações da Rodada de Doha, para a liberalização do comércio mundial.

"Eu enviaria uma mensagem firme contra o protecionismo, incluindo os efeitos potencialmente negativos dos planos de estímulo (econômico) que os países ricos iniciaram", afirmou.

Amorim se referiu, além disso, à dependência de muitos países em desenvolvimento em suas exportações agrícolas, um dos aspectos que gera maiores divergências entre economias ricas e emergentes no marco das negociações na OMC.

A eliminação dos subsídios "por parte dos países ricos teria um impacto importante na capacidade dos pobres, para que o comércio permita uma saída da recessão", acrescentou Amorim.

O ministro brasileiro apontou a necessidade da nações mais ricas de cumprirem seu compromisso de apresentar 0,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para assistência aos mais pobres.

"Na realidade, isso é menos que os países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) pagam a seus 'ineficientes' agricultores, mas poderia ser a diferença entre a vida e a morte de alguns de seus beneficiados", opinou.

Quanto às instituições financeiras multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), Amorim disse que elas deveriam ser reformadas e que seus recursos deveriam ser incrementados, além da necessidade de revisão do regime de condições restritivas aos países em desenvolvimento.

Amorim, que antecipou que o caminho para a recuperação será "longo e tortuoso", avaliou o papel regulador do Estado como promotor do desenvolvimento.

O chanceler indicou que, se o Brasil foi menos afetado pela crise, o fato se deve ao Estado, que teve um papel "crucial" na diversificação comercial, no investimento e redistribuição do mercado interno e na promoção das infraestruturas. EFE emm/pd

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