surdez - Mundo - iG" /

Amorim diz que autoridades hondurenhas demonstram surdez

BRASÍLIA ¿ O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, condenou as últimas atitudes do governo de fato de Honduras, presidido por Roberto Micheletti, e afirmou que elas demonstram uma ¿surdez¿ das autoridades hondurenhas em relação ao que tem sido dito pela comunidade internacional. O ministro descarta ainda retirar diplomatas do país por considerar que seria um ato de covardia e possível incentivo a outros golpes.

Christian Baines, repórter em Brasília |

Reuters
Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim durante entrevista no Itamaraty
Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim durante entrevista no Itamaraty


O chanceler criticou a falta de receptividade ao diálogo e à solução pacífica para a crise política em Honduras, agravada pela volta do presidente deposto, Manuel Zelaya, ao país.

Não receber uma missão precursora da OEA (Organização dos Estados Americanos) foi uma verdadeira bofetada na comunidade internacional, revelando uma percepção certamente errada por parte daqueles que estão ocupando o poder, disse em entrevista coletiva nesta segunda-feira.

Amorim telefonou nesta segunda-feira à secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, ao secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-Moon, e ao secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, para expressar sua preocupação com os acontecimentos das últimas 48 horas. 

Nos três casos, a preocupação foi centrada em dois fatores importantes: esse ultimato, pseudoultimato, dado pelo governo de facto em relação à presença diplomática do Brasil, e também a questão da recusa da entrada da missão precursora da OEA. Os dois fatos são graves, porque eles demonstram que há quase um estado de surdez das autoridades de fato em relação ao que tem dito a comunidade internacional.

A diplomacia brasileira também enviou uma nova carta ao Conselho de Segurança da ONU condenando as ultimas manifestações das autoridades hondurenhas. O texto, endereçado à presidente do conselho, a americana Susan Rice, diz que o ultimato que o governo hondurenho deu ao Brasil a é muito grave e pede atenção à ONU.

Apesar da clara mensagem do Conselho de Segurança, os anúncios e as decisões tomadas pelas autoridades hondurenhas nas últimas 48 horas agravaram a situação. A ameaça (o ultimato dado ao Brasil) foi acompanhada por medidas como a suspensão dos direitos civis garantidos pela Constituição, fechamentos de empresas de comunicação e a decisão de negar a entrada dos membros da OEA ao país, diz o texto.

Amorim sinalizou ainda que pode haver uma nova oportunidade de visita da OEA a Honduras. Eu tive a notícia de que talvez se tenha aberto uma janela para receber novamente a missão da OEA. Esperamos que seja verdade.

Covardia

Amorim justificou o asilo diplomático brasileiro a Zelaya, destacando que o Brasil esta defendendo os princípios da democracia na região e não tem nenhum interesse próprio. Segundo ele, o Brasil não pode recuar agora, pois seria um ato de covardia.

Por uma situação que ele não criou, o Brasil praticamente virou o guardião de um presidente democrático e o presidente legítimo de um país. Seria muito fácil para nós simplesmente retirar os dois diplomatas que estão lá e o oficial administrativo, e o problema de segurança, do ponto de vista do Brasil, terminaria. Mas nós não podemos fazer isso porque seria, primeiro, um gesto de covardia e, segundo, um gesto de desrespeito à própria democracia e um incentivo a outros golpes de estado no continente, afirmou.

Leia também:


Leia mais sobre Honduras

    Leia tudo sobre: brasilhonduraszelaya

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG