Bruxelas, 23 mar (EFE).- O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim disse hoje na Comissão Europeia (CE) que, para concluir a Rodada de Doha a fim de liberalizar o comércio internacional, é preciso se concentrar no que realmente importa na economia mundial e na solidariedade com os países mais pobres, e não em pequenas trocas.

Amorim se reuniu hoje em Bruxelas com a comissária europeia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, com a qual abordou as relações bilaterais entre o Brasil e a União Europeia (UE), além de diversos assuntos internacionais.

Quanto à possibilidade de terminar com sucesso essas conversas no marco da Organização Mundial do Comércio (OMC), o chanceler brasileiro assegurou que "se (a comunidade internacional) de concentrar em pequenas trocas, não será possível concluir as negociações".

"Por outro lado, se os líderes mundiais se concentrarem no que realmente importa para a economia mundial", e se for levado em conta que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mencionou "de maneira explícita a ajuda e solidariedade com os países mais pobres (...), então haverá mais chances de sucesso", disse.

"É difícil, mas também é muito importante neste momento", disse o chanceler brasileiro.

Amorim ressaltou que há um "pensamento igual entre Brasil e UE de que a Rodada de Doha tem de ser concluída", mas precisou que durante sua reunião com a comissária não entraram em "detalhes" sobre o assunto.

O chanceler brasileiro indicou também que conversou "rapidamente" com a comissária das negociações para conseguir um acordo de associação entre a UE e o Mercosul, que se encontra atualmente estagnada por ser pendente da conclusão da Rodada de Doha.

O chefe da diplomacia brasileira destacou a "importância de continuar o diálogo para conseguir progressos nessa área e também na Rodada de Doha, o que atualmente é um pouco difícil".

Ferrero-Waldner destacou que Brasil e UE têm uma agenda "muito ambiciosa" desde a última cúpula, realizada no Rio de Janeiro, em dezembro, quando decidiram impulsionar um plano de ação conjunto para os próximos três anos que coordenará sua colaboração em diferentes âmbitos.

Amorim reafirmou que as posturas do Brasil e do bloco europeu coincidem em diversos assuntos internacionais.

"Sempre encontramos na Europa uma voz de moderação e entendimento, o que é importante para as relações internacionais", apontou. EFE rja/mh

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.