Amorim defende no Senado entrada da Venezuela no Mercosul

Brasília, 30 abr (EFE).- O chanceler Celso Amorim defendeu hoje no Senado a entrada da Venezuela no Mercosul perante duras críticas de parlamentares, que afirmam que o presidente desse país, Hugo Chávez, atenta contra a democracia.

EFE |

Amorim participou de uma audiência pública da Comissão de Relações Exteriores do Senado que analisa o tratado de adesão da Venezuela ao Mercosul, assinado pelos Governos de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai em julho de 2006.

Até agora, o tratado só foi ratificado pelos Congressos de Argentina e Uruguai, enquanto os de Paraguai e Brasil seguem em debate.

Amorim disse que o Mercosul é "um núcleo dinâmico da integração latino-americana" e destacou a importância da Venezuela, que tem "o terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul". Para o chanceler, a entrada desse país no bloco "tem valor econômico, estratégico e simbólico".

Nesse sentido, explicou que as exportações brasileiras para a Venezuela, que superam US$ 4 bilhões anuais, "são maiores" que as dirigidas a países como França, Itália, Rússia e Reino Unido.

As críticas mais duras dos opositores à entrada da Venezuela no bloco foram do senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Collor reiterou que Chávez "luta por um projeto político próprio, que vai frontalmente contra o perfil da atuação externa do Brasil, que procura a paz, a integração e evita o confronto".

O ex-presidente alertou inclusive que a entrada da Venezuela no Mercosul vai provocar graves rachas políticos no bloco pela "falta de moderação de seu presidente", que pode "debilitar" o processo de integração em vez de fortalecê-lo.

Amorim, que no fim de semana passado se reuniu com Chávez em Caracas, respondeu dizendo que é "impossível" que o Brasil tenha parceiros "feitos a sua imagem e semelhança" e ressaltou o "compromisso" da Venezuela com a integração e o fomento do comércio regional.

A Comissão de Relações Exteriores continuará a análise do assunto e, caso não seja aprovado o tratado de adesão da Venezuela, o tema deverá ser submetido à votação no plenário do Senado.

Ontem, em Caracas, Chávez manifestou sua esperança de que os trâmites para a entrada da Venezuela no bloco acabem antes do próximo dia 26 de maio, quando visitará o Brasil. EFE ed/rr

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