Lisboa, 12 jul (EFE).- O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, considerou que a democracia é um objetivo em si, em referência a Honduras, e disse que o Brasil trabalha para incentivar a melhora da democracia, em discurso na 5ª Conferência Ministerial da Comunidade das Democracias.

Promovida pelos Estados Unidos, a volta da plena democracia em Honduras e as ameaças que a pobreza, o terrorismo e a crise representam para os Governos legítimos do mundo abriram hoje os debates da conferência, realizada em Lisboa.

A reunião ministerial de um dia, com a presença de autoridades e intelectuais de cerca de 50 países começou com os discursos de representantes do Brasil, Portugal, Índia, Mali, Coreia e EUA, que comemoraram o avanço das democracias no mundo, mas advertiram dos riscos que enfrentam.

Amorim mencionou especificamente o caso de Honduras e considerou que "a democracia é um objetivo em si", que "sua reposição é obrigatória" e que é fundamental salvaguardar os valores democráticos e a paz.

Fontes da conferência disseram à Agência Efe que há consenso para emitir hoje uma declaração a favor da restauração da normalidade democrática na nação centro-americana.

A Comunidade das Democracias, fundada em 2000 pelos EUA, conta como membros promotores com 16 países dos cinco continentes e tem por objetivo promover a democracia ocidental no mundo.

Amorim também lembrou as "mudanças profundas" na América do Sul e assegurou que o Brasil trabalha para incentivar a melhora da democracia em outras nações.

"Devemos trabalhar mais pela educação, porque a persuasão é sempre mais eficaz que a obrigação", disse.

Fóruns como este, acrescentou, devem ajudar a consolidar a democracia nos países emergentes que têm os maiores problemas para desenvolvê-la.

O subsecretário de Estado dos EUA, James Steinberg, referiu-se à situação na América Latina e ressaltou a consolidação da institucionalidade na região nas últimas décadas, mas advertiu do risco das "interrupções dos processos democráticos".

Steinberg, cujo país organizou a Comunidade das Democracias em 2000, na Polônia, destacou o avanço histórico dos regimes constitucionais na Europa e citou os casos de Portugal e Espanha, e, mais recentemente, dos países do leste.

Também ressaltou a mudança na América Latina e os progressos da África nas últimas duas décadas, mas ressaltou as ameaças dos regimes pluralistas, como o terrorismo, a pobreza e as "interrupções" da institucionalidade.

Na abertura da conferência em Lisboa, discursaram também o presidente do Parlamento português, o socialista Jaime Gama, e os ministros de Exteriores de Mali, Moctar Ouane; Coreia do Sul, Yu Myung-hwan; e Índia, Shashi Tharoor. EFE ecs-prl/an

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