Amorim: Brasil pode ajudar países pobres a combater mudança climática

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou neste domingo que o Brasil não descarta ajudar financeiramente países mais pobres a combater as mudanças climáticas, mas que a maior parte destes custos devem recair sobre as economias mais ricas. Não vamos excluir isso. Não é um problema para o Brasil contribuir com outros países. Agora, é claro que a carga principal não pode ficar para os países emergentes, afirmou Amorim durante visita a Bruxelas, na Bélgica.

BBC Brasil |

As mudanças climáticas são um dos principais assuntos na agenda de discussões da cúpula bilateral Brasil-União Europeia, que acontece na próxima terça-feira em Estocolmo, capital da Suécia.

Os líderes europeus querem o apoio do governo brasileiro para a proposta de fazer com que países ricos e emergentes contribuam financeiramente para o combate ao aquecimento global em países pobres. Estima-se que estas iniciativas necessitem de investimentos da ordem de 100 bilhões de euros.

De acordo com a proposta, o valor aportado por cada país seria calculado com base em suas emissões de gases causadores de efeito estufa e sua renda per capita, um cálculo pelo qual a contribuição europeia seria de entre 10% e 30% do total.

"Cooperar nós estamos dispostos. Mas a carga principal, tanto no que diz respeito às obrigações em emissões, quanto no que diz respeito ao financiamento, tem que ser dos países mais ricos. Não se pode procurar transferir esse ônus", disse Amorim.

Contribuição brasileira
O ministro citou programas de reflorestamento que o governo brasileiro desenvolve no Haiti e no Timor Leste como exemplos da contribuição brasileira e ressaltou que o Brasil não tem "recursos sobrando como têm os países ricos".

"O Brasil estará contribuindo com seu próprio esforço, em grande medida, para reduzir as emissões do nosso lado", completou.

Horas antes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo levará à conferência de Copenhague sobre o clima, em dezembro, "números que confirmam nossa contribuição efetiva para a redução das emissões de gases causadores de efeito estufa".

"Assumimos uma posição de liderança que nos permitirá cobrar de todos, especialmente dos mais ricos, metas de redução claras e ambiciosas", disse Lula.

Honduras
Questionado sobre a situação em Honduras, o chanceler Amorim avaliou que o clima está "um pouco mais favorável", e lembrou que a missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), impedida de entrar no país no domingo passado, acabou sendo aceita pelo governo interino.

Segundo Amorim, as notícias que chegam da embaixada brasileira em Tegucigalpa e dos demais interlocutores do governo brasileiro "indicam disposição de negociar".

"Espero que em breve se possa comprovar aquilo que nós sempre dissemos (...), que a presença do presidente (Manuel) Zelaya é um fator que contribui para que haja diálogo para que se saia daquela estagnação que havia antes", disse.

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