Para chanceler, acordo com o Irã não deve atrapalhar campanha do país por cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta sexta-feira que o Brasil prefere não obter uma cadeira no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) do que assumir uma posição submissa para conseguir a vaga.

Celso Amorim durante entrevista em fórum no Rio
Agência Brasil
Celso Amorim durante entrevista em fórum no Rio

“Se para ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU você tiver que ter uma posição subserviente, é preferível não ser”, afirmou Amorim, durante o Fórum da Aliança de Civilizações das Nações Unidas, no Rio de Janeiro.

O chanceler disse considerar improvável que o acordo firmado entre o Brasil e a Turquia com o Irã possa atrapalhar a campanha do governo Lula pela vaga.

Durante o encontro, o chanceler fez críticas a parte da imprensa brasileira. De acordo com ele, alguns jornalistas sempre trataram a questão da vaga no Conselho de Segurança da ONU como algo irrelevante. Com a parceira fechada com o Irã, o tema teria voltado à tona com novo enfoque.

“A maior parte da mídia brasileira sempre tratou criticamente essa questão do Conselho de Segurança. Diziam que o Brasil tinha essa obsessão e que isso prejudicava outros interesses. Agora, quando fazemos um ato correto com a Turquia, de acordo com a nossa consciência, as pessoas perguntam se isso não irá prejudicar a aspiração brasileira”, alfinetou o ministro.

Questionado se o acordo feito com o Irã poderia atrapalhar as relações comerciais históricas do Brasil com os EUA, Amorim foi taxativo. “Não creio. Acho que seria uma atitude infantil. O Brasil tem excelentes e intensas relações com os Estados Unidos”, avaliou. “Você não pode adotar uma política de que quem não está comigo é contra mim. Isso não existe”, finalizou.

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