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Amorim: proposta não é ideal, mas é o que podemos pagar

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu neste sábado a posição brasileira de aceitar as novas propostas da Rodada Doha dizendo que, apesar de não ser suficiente, é o melhor que a gente pode obter pelo preço que pode pagar. É tudo o que a gente queria? Não é.

BBC Brasil |

É o ideal? Não é. Mas isso é uma negociação. Não estamos fazendo um mal acordo, na minha opinião", disse aos jornalistas, depois de uma reunião com os demais líderes do G20 na sede da missão brasileira em Genebra.

"Pelo que eu entendo, (com base) em consultas com nossos exportadores, os tetos (para os cortes de tarifas de exportação) todos são satisfatórios para permitir que nossas exportações ocorram."
Segundo Amorim, os números propostos pelo diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, no quinto dia de reuniões em Genebra é melhor que qualquer proposta já feita antes.

"Em subsídios internos, fomos capazes não só de definir um teto para o que pode ser concedido, mas também de definir tetos para alguns produtos específicos. Isso agora está incluído (no acordo) com números que são aceitáveis, com períodos de referências que são aceitáveis", afirmou.

"Ninguém poderia imaginar que chegaríamos, em agricultura, aos dados que chegamos", assegura o ministro.

Diferenças
Mas Amorim reconhece que outros países têm avaliação diferente:"Sobretudo países mais defensivos na parte agrícola, porque têm uma estrutura mais frágil, como é o caso Índia, são críticos (em relação à proposta)", admitiu.

O ministro de Comércio indiano, Kamal Nath, deixou a missão brasileira dizendo que o novo texto da Rodada "não é o documento final" e que Argentina, África do Sul e Egito também divergem dos números estabelecidos.

"Há coisas que estão corretas e há coisas que não. E as coisas que estão erradas têm que ser suprimidas", ressaltou.

Ainda assim, Amorim garante que as diferenças com a Argentina em relação à proposta industrial não irão abalar a unidade do Mercosul.

Em relação à unidade do G20, o ministro lembrou que o grupo foi criado para defender seus interesses comuns em agricultura e, apesar de algumas diferenças que "sempre vão existir", a coalizão não será quebrada por "diferenças em um ponto".

"O G20 cumpriu até aqui um papel extraordinário e continua sendo importante. A unidade do G20 é importante para continuarmos avançando, tendo que reconhecer que há diferenças."
Em relação às acusações de que o Brasil teria abandonado o grupo ao aceitar o novo texto, o chanceler defendeu que o país "fez concessões até em relação aos seus próprios objetivos para manter o G20 unido".

Ainda assim, deixou claro que o grupo "não é um fim em si mesmo".

"O G20 foi criado para obter um acordo. O fim é obter um bom acordo na Rodada Doha. Na hora da verdade as avaliações podem não ser idênticas, então cada país terá que tomar sua decisão."

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