Amigos de estudante brasileiro morto na Austrália protestam em SP

Cerca de 150 manifestantes deixam pacotes de bolacha em frente ao consulado australiano e marcham pela avenida Paulista

Luísa Pécora, iG São Paulo |

Cerca de 150 amigos e familiares do estudante brasileiro Roberto Laudisio, morto pela polícia de Sydney no dia 18, cobraram explicações do governo australiano durante um protesto em São Paulo neste domingo. Os manifestantes, a maioria jovens, colocaram pacotes de bolacha em frente ao Consulado Geral da Austrália, em alusão à acusação da polícia de que Laudisio roubou biscoitos, foi perseguido e morto após ser atingido por uma arma de eletrochoque.

Além de duvidar de que o brasileiro seja o autor do roubo, os manifestantes cobraram explicações da Austrália sobre a violência policial. “Mesmo que ele tenha roubado ou que estivesse drogado, não importa. Qualquer pessoa tem o direito de se defender e ele não teve”, afirmou ao iG Patricia Laudisio, madrinha do estudante morto. “Eles (os policiais) quiseram matar.”

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Tércio Teixeira/Futura Press
Amigos do estudante Roberto Laudisio em protesto neste sábado em frente ao consulado australiano em SP

Após colocarem os pacotes de bolacha em frente ao consulado, localizado na alameda Santos, perto da avenida Brigadeiro Luís Antônio, nos Jardins, os manifestantes seguiram em passeata até o Masp, na avenida Paulista. Acompanhados por policiais, eles fecharam três das quatro faixas de trânsito e causaram pontos de congestionamento.

No cruzamento entre a Brigadeiro e a Paulista, os manifestantes se sentaram no asfalto e fizeram um minuto de silêncio em homenagem a Laudisio. No vão livre do Masp, fizeram um círculo e, de mãos dadas, rezaram pelo brasileiro.

O clima era mais de revolta que de comoção. Vestidos com camisetas brancas - que tinham o rosto do brasileiro na frente a hashtag “#betãoprasempre na parte de trás -, os manifestantes mostravam cartazes com críticas à Austrália enquanto gritavam palavras de ordem como “paz, amor, justiça por favor”.

“Nenhuma resposta foi dada até agora. Queremos um pronunciamento, uma explicação para uma polícia que usa a violência”, disse César Leme, 21 anos, que estudou com Laudisio da quinta série ao segundo ano do ensino médio. “É um fato totalmente sem explicação.”

Roberto Klepacz, 20 anos, lembrou dos jogos de futebol com Laudisio, de quem foi vizinho durante a infância. “Ele adorava futebol, a gente cresceu jogando”, afirmou. “Era um cara alegre, não tinha o que falar dele”, completou.

A mãe de Klepacz, Viviane, que também foi à manifestação, disse que a morte de Laudisio a deixou preocupada em relação à segurança dos jovens brasileiros no exterior. “Mesmo se ele roubou, não é possível que um país de primeiro mundo mate por causa de um pacote de bolachas”, opinou. “Meu filho fez intercâmbio nos Estados Unidos, meu sobrinho voltou da Austrália faz pouco tempo. A gente acha que os meninos estão seguros e acontece uma barbaridade como essa.”

Laudisio estava na Austrália desde o ano passado para visitar a irmã e o cunhado e fazer um curso de inglês numa escola de Bondi Junction, um bairro no sul de Sydney.

A ação policial que culminou em sua morte teve início após o furto de um pacote de biscoitos em uma loja de conveniência durante a madrugada. O repórter Marcos Moreira, do serviço brasileiro da emissora de rádio australiana SBS (Special Broadcasting Service), falou com funcionários da loja, e um deles não reconheceu Laudisio como o autor do roubo. e roubou um pacote de biscoitos e depois fugiu.

As imagens da câmera de vigilância do local estão em poder da polícia de Sydney e até o momento não foram divulgadas. Não há previsão para a chegada do corpo de Laudisio ao Brasil.

O jovem, que era órfão desde a infância, será enterrado no mesmo túmulo que o de seus pais no Cemitério do Araçá, em São Paulo.

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