Américas alertam para risco de combinação entre gripe e pobreza

Washington, 28 set (EFE).- Os ministros da Saúde do continente americano mostraram hoje em Washington sua preocupação com a ameaça que representa para a região a combinação da pandemia da gripe A e a crise econômica.

EFE |

Na inauguração da reunião do Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, se referiu ao prejuízo que poderia ocasionar a combinação destas duas ameaças aos setores sociais com menos recursos.

"A crise econômica dificultou o cumprimento dos Objetivos do Milênio, especialmente na área da assistência da saúde", disse Temporão, presidente em fim de mandato do Conselho Diretor.

"Devemos trabalhar mais intensamente em uma estratégia para o fortalecimento da prevenção, o tratamento das doenças e a defesa da Saúde", acrescentou.

Já a diretora da OPAS, Mirta Roses Periago, afirmou que "a crise econômica é uma ameaça para a Saúde".

"Pela primeira vez em uma década haverá este ano uma queda da renda per capita nas Américas, onde há ainda uma queda nas remessas enviadas a seus países pelos emigrantes, e do investimento em saúde".

A funcionária explicou que os fatores econômicos têm um impacto múltiplo, já que as pessoas postergam as consultas médicas e os tratamentos, e as que não podem recorrer aos serviços do setor privado recorrerão mais aos serviços públicos.

Roses Periago se referiu também à expansão da gripe A, e destacou "a resposta coordenada à pandemia de gripe dada pelos Estados-membros" da OPAS.

"Os países da América, começando pelo México, estiveram na primeira linha de batalha e tanto seus serviços de Saúde como seus Governos responderam rapidamente e de forma solidária", acrescentou.

Já Temporão indicou que a pandemia "mostrou a necessidade da preparação adequada dos serviços de Saúde, e a coordenação tanto entre as agências de cada país como entre as autoridades dos países, para combater estas emergências".

O ministro da Saúde se referiu ainda à mudança climática, e advertiu que "pode ter consequências catastróficas para a saúde".

Na reunião, que termina na sexta-feira, os ministros analisam com especial atenção a ameaça da gripe pandêmica, as doenças para as quais não há atendimento e outras infecções relacionadas com a pobreza.

A agenda inclui discussões sobre o atendimento primário da saúde, a segurança dos hospitais, a saúde dos adolescentes, a igualdade de gênero, a doação e o transplante de órgãos humanos, e o relatório anual que será apresentado por Roses Periago.

A OPAS, que é o escritório regional para as Américas da Organização Mundial da Saúde (OMS), já realizou uma reunião prévia em julho em Cancún, onde se encontraram mais de 950 especialistas de todo o mundo para estudar a gripe, sua prevenção e o desenvolvimento de vacinas.

"Não podemos baixar a guarda, e além disso temos de ter uma grande dose de humildade para lidar com este vírus e reconhecer que ainda pode nos surpreender", disse.

De acordo com a OPAS, até a semana passada tinham sido notificados 137.147 casos confirmados em 35 países da região das Américas.

No total, 3.020 pessoas morreram em decorrência da gripe entre os casos confirmados em 22 países da região, e segundo a informação fornecida até 25 de setembro, a média de idade dos casos está entre 23 e 33 anos. EFE jab/mh

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