Americanos vão às urnas em eleição histórica

Com um copo de café na mão e um jornal na outra, munidos principalmente de muita paciência, os americanos compareciam em massa nesta terça-feira nos centros eleitorais para participar de uma eleição presidencial que já entrou para a história.

AFP |

O sol ainda não tinha nascido em Blacksburg, cidade da Virgínia (leste) e bastião democrata. Fazia frio, mas isso não importava: já havia uma multidão diante dos locais de votação. Muitos eleitores se levantaram muito cedo e pretendiam ir para o trabalho, depois de cumprir seu dever.

Elaine Daily, 55 anos, é uma professora aposentada. Ela votou no candidato democrata Barack Obama, o mais apto, segundo ela, para "trazer a mudança". "Sinto que ele pode fazer alguma coisa para restaurar a economia e acabar com a guerra (no Iraque)", disse.

Em todo o país, as imagens eram as mesmas, ou quase: longas filas de eleitores aguardam em calma, bebendo café e lendo o jornal. Apenas o local variava.

Aos pés dos enormes arranha-céus de Nova York, dezenas de pessoas esperavam impacientemente diante de um centro de votação em Wall Street. Policiais fortemente armados vigiavam as imediações da Bolsa.

Rita Molton, enfermeira, ia votar em McCain. "Sinto-me segura com ele", explicou. "Ele tem que chegar lá. É um herói e acho que devemos dar uma chance a ele. É sua última missão".

Já Scott Hong, 25 anos, que trabalha para a imprensa, evotou em Obama e acha McCain "ranzinza demais". No cenário internacional, "precisamos de alguém que restaure nossa credibilidade", disse.

Muitos são aqueles que estão empolgados por participar de uma eleição histórica.

"É a quarta vez que eu voto, mas desta vez, é a mais importante de minha vida, a melhor, porque se trata do futuro de nosso país e do mundo", afirmou Aaron Freeman, um nova-iorquino de 32 anos.

"Eu voto em Obama", declarou Aaron. "É a única oportunidade em uma vida em que podemos votar em alguém que represente a mudança para todo o mundo. É muito excitante estar nos Estados Unidos e votar hoje".

Na Flórida (sudeste), onde mais de 50% dos eleitores já votaram antecipadamente, a espera era um pouco menos longa.

"Antes da abertura das portas, havia longas filas, mas agora tudo está bem", explicou um agente da Polícia de Miami, Elee Minden, em um centro de Coral Gables.

Tomas e Julia Perez, um casal de aposentados de origem cubana, escolheram John McCain, afirmando que é o único "que pode fazer alguma coisa pela economia" e "pela segurança".

Em Pottsville, na Pensilvânia (leste), o candidato republicano é rei. Essa cidade industrial, com suas velhas construções de tijolo, acolhe o mais antigo café dos Estados Unidos.

Uma caserna de bombeiros era usada como centro de votação. Havia uma fila de eleitores preocupados: "Por que os republicanos não fizeram uma campanha melhor?" disse Ralph Young Jr, queixando-se pelo fato de o campo de McCain não ter sido agressivo o bastante com Obama.

Um outro eleitor, Matt Santai, explicou que ia optar por McCain. "Não temos tempo para um calouro", disse em relação a Obama. "O país é um pacote de problemas. Em um partida de futebol, quem você colocaria? O calouro ou seu melhor jogador?".

Se Pottsville está com McCain, o bairro de U Street em Washington, onde o movimento pelos direitos cívicos era particularmente forte em 1968, Obama parece ter mais apoio.

Bandeira americana na mão, Alnett Wooten, acabava de votar no candidato democrata. Visivelmente emocionado, esse negro de 86 anos disse: "nunca pensei que viveria tanto tempo para ver isso": votar para colocar um negro na Casa Branca.

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