Washington, 17 jun (EFE).- O Pentágono usou um programa de treinamento desenvolvido para que militares resistissem à tortura em caso de serem capturados, como uma arma para maltratar detidos, conforme indicou uma pesquisa do Senado americano divulgada hoje.

O programa Sobrevivência, Evasão, Resistência e Fuga (Sere, na sigla em inglês) coloca os soldados americanos em situações extremas, sob estrita supervisão, para prepará-los para o caso de sofrerem em mãos inimigas.

Sua lista de técnicas inclui manter a pessoa longo tempo na mesma posição, tirar sua roupa, aterrorizá-la com cachorros, privá-la de luz e som, transtornar seus sono, tratá-la como um animal e submetê-la a temperaturas excessivas.

Há pouco tempo, alguns militares também experimentaram, embora de forma breve, as asfixias simuladas consideradas como tortura pelas organizações defensoras de direitos humanos.

Os Estados Unidos pararam de usar esses métodos contra os detidos em Guantánamo, Afeganistão e na prisão iraquiana de Abu Ghraib.

O Sere era baseado nos sofrimentos dos soldados americanos capturados no Vietnã e outras guerras, conforme disse na audiência o tenente-coronel Daniel Baumgartner, ex-chefe de gabinete da agência que supervisiona o programa.

Os membros do Comitê das Forças Armadas não ocultaram sua repulsão à adoção pelo Pentágono de métodos próprios das ditaduras militares sul-americanas dos anos 70 e 80.

"Os advogados da administração usaram teorias legais estrambólicas para justificar técnicas duras nos interrogatórios", disse o senador republicano Lindsey Graham.

Graham disse ainda que ficará para a história como a análise legal mais irresponsável e míope dada à comunidade sobre a inteligência militar da Nação.

Os advogados da administração reinterpretaram a normativa e definiram "tortura" de forma muito restritiva.

Por exemplo, John Fredman, um advogado da CIA, afirmou em reunião em outubro de 2002 que os estatutos sobre a tortura são vagos e que "são basicamente um assunto de percepção. Se o detido morre, o fez mal", segundo relatórios do encontro divulgadas hoje. EFE cma/rr

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