Americanos retomam vida normal após comemorações pela posse de Obama

Elvira Palomo. Washington, 21 jan (EFE).- Os Estados Unidos - e especificamente Washington - retomaram hoje sua atividade normal após um dia histórico, no qual o país inteiro comemorou a chegada de Barack Obama à Casa Branca.

EFE |

Após quase um ano de campanha, dois meses de transição e uma grande celebração, Washington acordou de ressaca e com a sensação de que o sonho de Martin Luther King se tornou realidade com a posse do primeiro presidente negro do país.

Os vendedores de jornais carregavam uma edição especial com os melhores momentos do dia, tão cedo que ainda era possível ver os restos de lixo deixados pelos aproximadamente dois milhões de pessoas que foram à capital para "viver a história".

No entanto, a verdade é que a maioria dos cidadãos não viu nada disso quando pegou o metrô de manhã, graças ao esquema especial de limpeza implantado pela Prefeitura e para o qual, além dos garis municipais, contou com equipes de limpeza privadas.

Durante toda a noite, dezenas de funcionários do Serviço Nacional de Parques recolheram o lixo dos arredores do Capitólio e do Mall, onde milhares de pessoas se reuniram para acompanhar a cerimônia em telões.

O prefeito de Washington, Adrian Fenty, disse que entre 1,8 e 2 milhões de pessoas foram ver a posse, mas alguns jornais, como o "The Washington Times", afirmam que o número foi bem maior.

O Serviço Nacional de Parques, que normalmente não costuma fornecer informações oficiais sobre os eventos no parque por causa de uma polêmica envolvendo dados de 1995, destacou que, devido à ocasião, no final desta semana darão um número aproximado.

Foi no local onde se concentrou a maior parte do lixo e onde também foi possível ver um pouco de falta de organização, já que, embora as pessoas tenham jogado seus copos e garrafas de plástico fora nas lixeiras, essas estavam transbordando, espalhando os detritos a seu redor.

Dias antes da cerimônia, um grupo de ambientalistas fez uma campanha para uma "posse limpa", mas isso não adiantou muito, já que foram recolhidas aproximadamente 100 toneladas de papel, garrafas de plástico, jornais, embalagens de comida e centenas de pequenas bandeiras americanas.

O metrô, que foi a melhor opção para se deslocar aos locais onde ocorriam eventos relacionados à posse durante o fim de semana, também precisou passar por uma grande limpeza. Após a cerimônia, em algumas estações o lixo acumulado atrapalhou o normal funcionamento das escadas rolantes.

A empresa municipal do metrô informou que, na terça-feira, foi batido o recorde de passageiros, com 973.285 pessoas registradas às 19h.

Apesar de a cidade ter sido limpa, ainda restam vestígios da cerimônia, como as arquibancadas e as cercas instaladas para facilitar o acesso ao público, que os operários se esforçam para desmontar o mais rápido que podem.

Além disso, durante esta noite os trabalhadores colocavam no lugar vários sinais que tinham sido retirados temporariamente da avenida Pensilvânia, por onde passou a comitiva oficial de Obama em direção à Casa Branca.

Levará um pouco mais de tempo para desmontar o camarote fechado instalado em frente à Casa Branca, onde o presidente assistiu com a família ao desfile dos diferentes estados, e onde hoje os turistas buscavam tirar a última foto como lembrança da viagem a Washington.

Outra das imagens que ficarão na memória no dia foi a dos mesmos turistas esperando na porta dos hotéis por um táxi que os levassem novamente para casa, com lembranças em suas malas e uma experiência da qual não poderão esquecer.

Reggie Ballard, de 84 anos, Robert J. Searcy, de 87, e Robert M.

Higginbotham, de 83, são um bom exemplo, já que, apesar da idade, viajaram de Los Angeles para viver este "momento único, não só para o país, mas para todo o mundo", disse o primeiro à Agência Efe.

Os três, que são negros como Obama, serviram no Exército dos EUA e asseguraram que a chegada do novo líder à Casa Branca foi "uma conquista".

"Eu o comparo com o poder de (o ex-presidente sul-africano Nelson) Mandela, é um homem com sabedoria que move as pessoas", afirmou Searcy, para quem Obama "é um homem que fará a diferença".

EFE elv/db

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