Americanos podem aprender em curso como se divorciar melhor

Paula Gil. San Francisco, 26 dez (EFE).- Jon e Kate Gosselin, ex-protagonistas junto com seus oito filhos de um famoso reality show da televisão americana, conseguiram com seu turbulento divórcio ser um dos casais mais mencionados pela imprensa dos Estados Unidos em 2009.

EFE |

A infidelidade de Jon e o caráter questionável de Kate ficaram expostos aos quatro ventos, um espetáculo lamentável para os muitos americanos que se preocupam com o impacto emocional da guerra entre o casal Gosselin.

A questão é que muitas lágrimas e possivelmente horas de tratamento poderiam ter sido economizadas se Jon e Kate tivessem ido a um dos muitos seminários realizados nos EUA que ensinam como se divorciar de forma civilizada e respeitosa com os filhos.

As aulas de "co-parenting", como são conhecidos esses cursos, estão se proliferando em um país onde mais de 40% dos casamentos terminam em divórcio.

Nessas aulas se aprende a tramitar a relação com seu ex-parceiro de modo a eliminar conflitos, reduzindo ao máximo a presença da parte emocional e se concentrando no que é melhor para os filhos.

Muitos vão a essas aulas por iniciativa própria, exaustos após anos de brigas e fazendo um último esforço para chegar a um acordo fora dos tribunais com seu ex. Outros, no entanto, frequentam por ordem judicial.

Patrice Kyger, diretora-executiva da ONG Centro de Mediação de Charlottesville (MCC), na Virgínia, disse ter percebido um aumento da participação nas aulas oferecidas e acredita que isso se deve em parte ao fato de que os pais estão mais abertos a pedir ajuda.

"Há dez anos, os pais e mães divorciados estavam menos dispostos a considerar que poderiam aprender a mudar seu próprio comportamento para conduzir melhor a relação e que isso poderia beneficiar os filhos", disse Kyger à Agência Efe.

Segundo Kyger, mais pais vão agora aos tribunais pedindo mudanças na custódia, visitas ou pagamentos de manutenção, o que leva a que às vezes tenham que frequentar o curso por ordem da Justiça.

Nos seminários do MCC se insiste especialmente nas necessidades dos filhos.

"Damos muita atenção em nossas aulas ao que as crianças precisam e ao que não precisam", assinalou Kyger.

Os manuais da organização oferecem conselhos para tornar a paternidade compartilhada mais fácil e livre de conflitos, e se referem a ela como "o negócio familiar" de criar filhos felizes, saudáveis e bem-sucedidos.

Todos os seminários do tipo insistem na ideia de que é preciso tratar a relação com um ex como um negócio, a única maneira de evitar conflitos emocionais e se concentrar no objetivo comum de educar as crianças.

Russell Stover, morador de San Francisco, começou a oferecer cursos há cinco anos dentro da organização Divorced Fathers Network, após passar ele mesmo pela experiência de um divórcio e assistir a aulas de "co-parenting".

"O mais útil que ensinamos aos participantes é tratar sua relação com seu ex como se fosse uma relação de trabalho", explicou à Efe.

"Você tem que pensar que é um trâmite de negócios e deixar de lado toda a intimidade", continuou Trata-se, na realidade, de se comunicar menos, de ir ao essencial no tocante aos filhos e não tratar detalhes pessoais, como faríamos com um fornecedor ou um cliente se tivéssemos em um negócio.

Pelos cursos da Divorced Fathers Network passam cerca de mil pessoas a cada ano. As aulas são ministradas em várias localidades da baía de San Francisco em pequenos grupos e, embora as mulheres tenham fama de ter menos receio na hora de pedir ajuda, Stover diz que há mais homens.

"Temos gente que vem sozinha e gente que vem com seu ex-parceiro", explica. "Mas cheguei a ter também um trio: uma mulher, seu ex e seu novo marido", acrescenta. EFE pg/rr

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