Americanos libertados pelo Irã chegam a Nova York

Shane Bauer e Joshua Fatal foram soltos sob fiança na quarta-feira, após dois anos presos em Teerã

iG São Paulo |

Os americanos Shane Bauer e Joshua Fattal desembarcaram em Nova York neste domingo após serem libertados sob fiança pelo Irã, onde ficaram presos por dois anos sob acusação de espionagem. Os dois foram soltos na quarta-feira e passaram três dias em Omã, país que intermediou a libertação e pagou a fiança de US$ 500 mil para cada um. 

Em 21 de agosto, o procurador-geral de Teerã, Abbas Jaafari Doulat Abadi, confirmou oficialmente a sentença de oito anos de prisão para Bauer e Fattal, detidos em 2009 ao lado de Sarah Shourd quando faziam trilhas em uma área montanhosa do Curdistão iraquiano, onde a fronteira entre Irã e Iraque é difusa.

Há um ano, Sarah foi libertada por motivos de saúde e humanitários, pagando uma fiança de US$ 500 mil. Ela voltou para os EUA, mas seus dois companheiros permaneceram em uma prisão de Teerã.

Ao confirmar a sentença de Bauer e Fattal, Abadi esclareceu que os condenados tinham 20 dias para recorrer da sentença, o que foi feito pelo advogado de ambos.

A audiência final do julgamento contra Fattal, Bauer e Sarah ocorreu em 31 de julho e a sentença, segundo a lei, devia ter sido divulgada antes de 7 de agosto.

Em 6 de agosto, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Ali Akbar Salehi, manifestou que torcia para que o julgamento de Fattal e Bauer resultasse na libertação dos dois e acrescentou que a justiça iraniana tinha seguido o caso de forma "justa".

Ao mesmo tempo, Salehi pediu "a libertação dos iranianos detidos nos EUA" e citou Shahrzad Mir Gholi Khani, acusada de espionagem pelas autoridades de Washington.

Os três acusados tinham se declarado inocentes e haviam pedido a absolvição. Segundo eles, em nenhum momento tiveram intenção de entrar em território iraniano. Eles disseram ter se perdido e errado o caminho.

Em pronunciamento à imprensa neste domingo, Fattal disse que queria deixar claro que, apesar de ele e Bauer "aplaudirem as autoridades iranianas por finalmente terem tomado a decisão certa", elas "não merecem crédito por pôr fim ao que não tinham direito nem justificativa para começar em primeiro lugar".

"Desde o início, a única razão para termos sido mantidos como reféns foi o fato de que somos americanos", disse, acrescentando que o "Irã sempre vinculou nosso caso às disputas políticas com os EUA".

Ele e Bauer também falaram sobre as condições prisionais. "Muitas vezes ouvimos os gritos de outros presos apanhando, e não havia nada que pudéssemos fazer", disse Fattal. "Como podemos perdoar o governo iraniano quando continua a aprisionar tantas pessoas inocentes e prisioneiros de consciência?"

Segundo eles, suas ligações para parentes somaram um total de 15 minutos em dois anos. Também disseram que tinham de recorrer a repetidas greves de fome para receber cartas. Eventualmente, recebiam a informação falsa de que suas famílias tinham parado de escrever. "Vivemos em um mundo de mentiras e falsas esperanças", afirmou Fattal.

Os EUA e o Irã romperam relações diplomáticas há três décadas durante a crise de reféns que começou com a ocupação da Embaixada dos EUA em Teerã. Desde então, cada um dos países tenta limitar a influência do outro no Oriente Médio, e os EUA e outras nações do Ocidente veem o Irã como a maior ameaça nuclear na região.

*Com AFP, EFE e AP

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