Americanos deixam região cocaleira da Bolívia sob ameaça de expulsão

La Paz, 26 jun (EFE).- Os funcionários da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês) abandonaram a província boliviana de Chapare, no departamento de Cochabamba, sob ameaça de expulsão por parte dos cocaleiros, informaram hoje jornais bolivianos.

EFE |

Os americanos saíram da região um dia antes que se cumprisse o ultimato lançado esta semana pelos sindicatos de cocaleiros, que advertiram que a partir de hoje declarariam a região "território livre da Usaid" e "livre de ingerências".

Vários jornais bolivianos afirmaram hoje que constataram a ausência dos funcionários da organização americana no Chapare.

Os cocaleiros explicam sua decisão dizendo que a Usaid faz chantagens e está envolvida em conspirações contra o presidente Evo Morales, que continua sendo seu líder sindical, embora já de forma simbólica.

"Nosso país deixou de ser um país mendigo", disse à Agência Efe o dirigente do setor Julio Salazar, que adiantou que os municípios vão assumir os projetos impulsionados pela Usaid, mas que ainda não foram finalizados.

Salazar afirmou que a agência americana só destinava para a cooperação 5% de seu orçamento na região, e o resto era gasto em "espionagem, inteligência e compra de alguns dos prefeitos".

O vice-ministro da Defesa Social boliviano, Felipe Cáceres, ex-cocaleiro e encarregado da luta contra as drogas, criticou os métodos de cooperação americana e, no entanto, elogiou a ajuda européia.

"Queremos uma cooperação como, por exemplo, a da União Européia", declarou Cáceres após dizer que "o pior é que estes programas (da Usaid) continuam sendo dirigidos pelos próprios americanos".

Ele pediu "novas regras e novas formas de cooperação" entre Bolívia e EUA.

Sobre a preocupação pela segurança de funcionários e cidadãos norte-americanos expressada pela Embaixada dos Estados Unidos em La Paz, o vice-ministro esclareceu que todos têm "a garantia do Estado de Direito".

Cáceres disse que os cocaleiros "não estão atentando contra a segurança das pessoas, mas falando dos projetos". EFE az/rb/rr

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