Americano é preso por entregar segredos nucleares a Israel

Por Randall Mikkelsen WASHINGTON (Reuters) - Autoridades dos EUA prenderam na terça-feira um engenheiro norte-americano suspeito de entregar segredos militares a Israel na década de 1980, envolvendo armas nucleares, caças e mísseis antiaéreos, informou o Departamento de Justiça.

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Ben-Ami Kadish, 84 anos, admitiu em entrevistas ao FBI que cometeu espionagem, com a intenção de ajudar Israel, de acordo com documentos judiciais.

Ele supostamente se reportava a um agente israelense que também tratava com Jonathan Jay Pollard, cidadão norte-americano preso em 1985 sob suspeita de espionar para Israel e posteriormente condenado à prisão perpétua.

A prisão de Kadish é um sinal de que o escândalo Pollard pode ter se espalhado mais amplamente do que se imaginava.

Kadish foi preso em Nova Jersey e deve ser apresentado na tarde de terça-feira a um tribunal de Nova York, segundo as autoridades.

'Vamos informar os israelenses sobre a ação', disse o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey. 'Há mais de 20 anos, durante o caso Pollard, fizemos notar que este não era o tipo de comportamento que esperaríamos de amigos e aliados, e esse continua sendo o caso hoje em dia.'

Bruce Goldstein, advogado de Kaddish, não respondeu aos telefonemas feitos pela Reuters. Arye Mekel, porta-voz da chancelaria israelense, disse saber do caso apenas 'pela imprensa'.

Pollard confessou a espionagem em 1986 e recebeu cidadania israelense em 1996. Em 1998, Israel admitiu que o ex-agente de inteligência da Marinha era seu espião, e desde então tenta sem sucesso sua libertação.

Kadish nasceu em Connecticut, nos EUA, e trabalhou como engenheiro mecânico para o Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia de Armamento, no Arsenal Picantinny, em Dover, Nova Jersey.

De acordo com a acusação constante no processo federal aberto contra ele, ele espionou de 1979 a 85, mas manteve contatos com um intermediário israelense não-identificado até março deste ano, depois de sua primeira entrevista ao FBI.

O processo diz que ele não recebia dinheiro para isso, apenas pequenos presentes e jantares.

Valendo-se de suas prerrogativas, ele teria retirado 50 a 100 documentos sigilosos da biblioteca do arsenal, apoiando-se numa lista entregue pelo intermediário israelense, chamado apenas de CC-1.

Esse agente fotografava os documentos no porão de Kadish, que então os devolvia à biblioteca, sempre segundo a acusação do governo norte-americano.

A peça diz que um dos documentos secretos 'continha informações relativas a armamentos nucleares'. Israel supostamente possui armas atômicas, mas nunca admitiu.

Outro documento, segundo o processo, seria relativo a 'uma versão modificada de um caça F-15 que os Estados Unidos venderam a um outro país estrangeiro', não-identificado. Um terceiro documento conteria informações relativas ao sistema de mísseis Patriot.

Segundo a peça, CC-1, o agente israelense, orientou Kadish a mentir ao FBI neste ano. 'Não diga nada. O que aconteceu há 25 anos? Você não lembra de nada', teria dito CC-1, que supostamente teria sido adido científico no consultado israelense em Nova York entre 1980 e 85 -- teria deixado os EUA com a prisão de Pollard, para nunca mais voltar.

Antes, CC-1 teria trabalhado no setor aeronáutico de Israel.

A descrição aparentemente se encaixa na de Yosef Yagur, citado como possível contato de Pollard. Por telefone, uma mulher que se identificou como esposa de Yagur disse que a família não falaria à imprensa.

(Reportagem adicional de Arshad Mohammed)

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